sábado, 13 de setembro de 2008

Nine eleven


ARCANO




As altíssimas torres
foram trespassadas por pássaros
alucinados. Um deus ofendido
pelos povos terem inventado
os dicionários, para fugir
ao castigo de Babel,
fez explodir essas formas
de arranhar o céu, sacrificando
milhares de vítimas. Algumas lançaram-se
das alturas, na fuga às chamas
para a enganosa respiração
da manhã. Consta que deus,
disfarçado de mortal
se escondeu nas montanhas.





I. L.
(A Enganosa Respiração da Manhã, Asa Ed., 2003)

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Mais um número da revista "Telhados de Vidro", o 10.º, da editora "Averno"


(poema de José Miguel Silva, incluído em Volta ao Mundo, conjunto de 3 poemas, publicado nesta edição)


Mas que resta para ver ou comentar
nesta feira pecuária, perguntas
recordando como tudo já foi dito
vinte vezes por cabeça, e repetir
repetições é engodar ritualmente
a esperança. Mas o próprio silêncio
é uma pose, e bem pouco original.
De resto, quem da poesia colhe
o benefício dum lamento ou esconjuro,
tem direito à inestética dum "foda-se!"
sonoro quando a sanha do martelo
lhe desaba em pleno dedo. Que querias?
Que calasse o prejuízo na cordura
dum estar arranjadinho, decoroso?
(Ou pior: que adubasse num sim-sim
de pechisbeque o subarbusto da penúria?)
Que diabo, mas será que só os ricos
é que podem vestir mal?

J. M. S.
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Telhados de Vidro n.º 10 - Maio, 2008
Direcção: Inês Dias e Manuel de Freitas

sábado, 30 de agosto de 2008

A morte-fêmea em Portugal ?

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Desde o início deste ano de 2008, trinta e cinco (35) mulheres já foram mortas, em Portugal, pelos maridos ou companheiros e verificaram-se mais vinte e oito (28) tentativas de assassínio.

(dos jornais)

PS- Uma das últimas vítimas, foi baleada na via pública, quando levava um filho de meses, ao colo.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

"Pelo Deserto as Minhas Mãos"

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Ninguém sabe como começa
o irrefreável movimento dos mercadores, esse burburinho forte
quando pelo chão espalham os seus produtos
Ninguém sabe como no azul das camionetas se amontoam tantas
coisas incríveis: homens, cestos, galinhas...é uma enchente ao
despique com o vagido dos dromedários, com os gritos dos berberres
a quem só vejo os olhos

E vêm também uns jograis do outro lado do Mediterrâneo:
cabriolam, mimam actos desconexos, tecem imagens a seu bel-
prazer em poemas curtos e de rápido efeito


Ninguém sabe como começa
o instante em que me aproximo: calado, nu, completamente
indefeso. Frente ao turbilhão - eu, com todas as mazelas à mostra;
eu, pequena Viagem dentro de outra bem maior. Mas que
importância tem esta incauta leveza se estou apenas de passagem?



Victor Oliveira Mateus, Pelo Deserto As Minhas Mãos, Coisas de Ler, Edições Ld.ª, Carcavelos, 2004

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

"Unzipped" ?






Uma apócrifa biografia de Marlon Brando, tipo tablóide, saiu há cerca de 2 anos, em livro, nos U. S. A.. A sua publicação anuncia-se para breve, em Portugal. Parece, desde o título original, completamente centrada nas zonas genitais do lendário actor e actividades atinentes. Um suplemento cultural de um diário português, de referência, fez-se eco alvoroçado e publicitário, dessa próxima edição, com honras de capa, profusas páginas e fotos, mais uma "séria" entrevista ao alcoviteiro da braguilha. Devo acrescentar que unzipped e braguilha, são palavras lá bem evidenciadas. Não são minhas. No meio disto, há depoimentos, cá do reino, com alguns parágrafos interessantes: duma coreógrafa, duma realizadora de cinema, dum encenador, dum actor.

Embora alguns tenham posto a tónica na qualidade iconográfica e de subversão existencial de M. Brando, andou tudo muito à volta do fascínio sensual e sexual do dito.

Ninguém referiu que morreu com 80 anos, que casou 3 vezes, que foi pai biolóigico 5 e adoptivo 3. Não! Porque as "novidades" da tal biografia andam todas à volta de fellatios e omnívoras bissexualidades. O autor (americano) de tais descobertas, vai coleccionamdo "revelações" à custa de conversas bem regadas com velhas glórias de Holywood, já passadas de prazo neuronal. Ele próprio confessa que tem que ir a casa de Joan Fontaine "antes que ela morra".

Marlon Brando foi um dos ídolos da minha juventude . Não se esquece Um Eléctrico Chamado Desejo ou Há Lodo no Cais. As miudas da minha idade gostavam todas do Tony Curtis, que era um galã de série B. Só eu adorava o Marlon, que elas não entendiam, por os filmes serem "pesados". Foi ele que me ajudou a descobrir que a glória do western americano é o genocídio dos povos índios. Foi ele que recusou um Óscar da Academia.E que fez de Coreolone em O Padrinho. Só que neste filme, duma idade mais madura, os furores alcoviteiros, já não lembram.

Logo, os seus fellatios, os e as amantes de ocasião, interessam-me tanto como a marca dos pensos higiénicos que usava a Marilyn Monroe.

Voltarei a este tema, se vier a talho de fouce. Há outras implicações.




quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Ossétias, Geórgias,Rússias, Natos, Bush(s)...

Que coisa troglodita!!
Exércitos, tanques, refugiados, mortos, feridos, aldeias arrasadas..
Enclaves e desfiladeiros disputados devido a combustíveis fósseis e ódios étnicos medievais.

Também é isto a Europa?
A "civilizada" Europa?
A tal do Kosovo e da Sérvia?

Mas, realmente, à beira das monstruosidades do Iraque, do Afeganistão e da Palestina, estas "escaramuças", para os Donos das Guerras, devem ser pequenos trocos...

sábado, 9 de agosto de 2008

poesia "delicada" ?

(...)
E mais: a poesia não é necessariamente «delicada», como foi sugerido, remetendo para uma ideia há muito ultrapassada de poesia. Hoje não o é com certeza: veja-se a poesia de Manuel de Freitas, veja-se a ironia cortante de Pedro Tamen, toda a «poesia da experiência» das últimas décadas. (...)

João Barrento, aqui


quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Alexander Soljenitsine (1918-2008)


Ia completar 90 anos no próximo dia 11 de Novembro.
Na linha de um Tolstoi. Um merecido Nobel.
Há quem queira reduzi-lo à denúncia do totalitarismo estalinista. Mas quem leu "O Pavilhão dos Cancerosos" e mergulhou nas "enfermarias" da alma russa - sobretudo num tempo em que a Literatura ainda tinha prestígio, dignidade e....leitores - ficou definitivamente marcado por este universo e escrita.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

"Modificadores"???


Em conversa de Férias, com uma amiga, professora de Português numa das Secundárias da cidade, soube da recente nomenclatura (mais uma da TLEBS) para os adjectivos, que passaram a chamar-se "modificadores"...
Claro que é fácil de entender a perniciosa confusão que se estabelecerá na mente dos alunos, ao aprenderem outras línguas (o Francês ou o Inglês) onde l'adjectif e the adjective, não tiveram industriosos e lúcidos crânios pedagógicos a brincar às terminologias gramaticais.

-Mas essa gente ainda andará pelos Generativismos do sr. Chomsky, já desactualizados, pelos maus frutos que deram em árvores e sintagmas?

-Pois, disse ela. Não sabe que as coisas aqui ainda acontecem com 20 anos de atraso?

-Ou seja, concluímos: quando os outros estão a tirar, nós estamos a pôr.



domingo, 27 de julho de 2008

Emily Brontë, born 30 of July (1818-1848)

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1818
Born Thornton, Yorkshire, the fifth child of the Rev. Patrick Brontë, and Maria Branwell Bronte.
1821
Maria Brontë dies of cancer, and Emily's aunt, Elizabeth Branwell, moves in with the family.
1824
Emily and Charlotte join their older sisters, Elizabeth and Maria, at the infamous Clergy Daughters' School at Cowan Bridge, Lancashire, which is depicted in Jane Eyre.
1825-
After the deaths of her two older sisters, Emily retums home to Haworth to learn and play with Charlotte, her brother Branwell, and Anne. They invent the imaginary Kingdom of Angria, about which they write many books.
1831
After Charlotte goes to Miss Wooler's school at Roe Head, Emily and Anne invent a rival Kingdom of Gondal.
1835
Student at Roe Head, where Charlotte is a teacher; become ill and returns home.
1838
Teacher at Miss Hatchett's school for six months; returns home.
1842
Studies French and German in Brussels at the Pensionnat Heger. Retums to Haworth in October for aunt Elizabeth's funeral and remains to keep house.
1846
Publishes with Charlotte and Anne, Poems by Currer, Ellis, and Acton Bell.
1847
Publishes Wuthering Heights, an immediate popular success.
1848
"After three years of excessive indulgence in alcohol and drugs, Branwell dies on September 24. Emily takes ill at his funeral, refuses all medical aid, and dies on December 19. She is buried beside her brother, mother, and other sisters at Haworth parsonage" (McGraw-Hill, 243).