(De Lechitiel)
(VI)
Não ofereçais aos poetas mais palavras,
não sabem o que fazer delas.
Os poetas não temem a dor:
estão sempre lá, na hora do adeus,
num limbo sem tempo
onde a morte não existe
nem a vida.
Não ofereçais aos poetas o coração,
não vos amarão:
velam, noite e dia,
o despojo ausente do corpo amado
na câmara ardente
do vazio de amor.
Não tenteis salvar os poetas,
não vos seguirão:
por vós não deixarão o inferno,
porque sonham comovê-lo
e assim reaver das chamas
tudo o que lhes foi negado.
ANDREA BASSANI
[Trad. de José Carlos Soares e Serena Cacchioli]
pág. 9, Junho 2019
Direcção de Inês Dias e Manuel de Freitas, coordenação gráfica de Luís Henriques
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quarta-feira, 31 de julho de 2019
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018
quinta-feira, 22 de dezembro de 2016
terça-feira, 8 de outubro de 2013
José Manuel Teixeira da Silva
TRATADO DE ARQUITECTURA
SEGUNDO NICOLAU NASONI
Repouso a sete palmos de terra
cumprindo a ciência das fundações
e o mistério dos números
Por minha estrita disposição, escapei-me
em local secreto de um templo
que desenhei até ao pormenor
Se me quiserem descobrir
não é certo que insista
o sangue quente italiano
Terão de perder-se na planta
que lhes deixei, mas ofereci
a causas mais divinas
Juntou depois a natureza
ornamentos de humidade
e o trabalho paciente das aranhas
Agora que me chamaste
ficará também aqui
qualquer coisa soterrada
sílabas escuras, mínimas
lascas de osso, e é como
se estivesse à espera
dos que vêm a caminho
Falaríamos de quanto pude erguer
em fundos tão confusos
para que a paisagem pousasse
como nas gravuras
a minha torre dividindo o espaço
e orientando as aves, por ela
a inclinação dos remos a repetir
o rio, olhassem-na distantes
os operários amestrando o fogo
entre os fumos do poente, soprassem
as nuvens por volutas da minha
inspiração até ao lugar
em que a vida aquietasse
De longe os avisos, pressentimento
do tremor da terra, a tempestade
e seus andaimes, mas tudo assim
arrisquemos em esplendor
e abatimento
Nota: Este livro vai ser apresentado no próximo dia 19 de Outubro, pelas 15 horas, no Solar dos Condes de Resende em Canelas - Gaia. Estarão presentes José Manuel Teixeira da Silva, o editor Diogo Vaz Pinto e o respectivo apresentador Pedro Eiras. Uma sessão a não perder, pela qualidade dos intervenientes e excelência da poesia do autor.
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quarta-feira, 7 de março de 2012
No Bartleby Bar
Apresentação esta sexta-feira, pelas 22h30, no Bartleby Bar. Rua Imprensa Nacional, 116b
(cave do restaurante BS). Em Lisboa.
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
TELHADOS DE VIDRO/15 - junho 2011
Castelo de Almourol
Outro perdido castelo – diria o adolescente
que fosse deixando para trás,
noutros e mais tristes lugares do Ribatejo.
Tenta não o ouvir, esta tarde.
O sol talvez doesse um pouco,
a morte continuava a espreitar-nos
de fresta em fresta, em cada muralha.
Mas havia um sorriso parado, entre piteiras,
foi bom voltar a comer fataça
e não existe nenhuma prova evidente
de que o barqueiro se chamasse Caronte.
Deu-nos, por meia hora, uma ilha
do nosso tamanho, a certeza do regresso
e aquela pedra solitária, a brilhar no rio.
Não parecia domingo, não houve deserto;
era uma tarde apenas, a encontrar-nos juntos.
Manuel de Freitas
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