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terça-feira, 27 de março de 2012

Das Lied Im Grünen



Amava naquele lied uma infância
de peixes brilhantes, quedas de água,
incomparáveis prados, poldros
de olhar meigo, o jardim de Inverno
para as confidências e as pequenas
traições. A grande biblioteca
com bafo de capela. O mistério
oculto no vestuário dos homens e
nas lágrimas das mulheres. O dorso
do pai levando-a adormecida
para o leito, no quarto ermo
povoado de infindáveis, a lassidão
melódica feria um corpo
demasiado escasso
para a morte.

Berlim, 96

Inês Lourenço, Um Quarto com Cidades ao Fundo, Quasi, V.N.Famalicão, 2000.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Povo que lavas no rio

Amália Rodrigues



Estendais

Em alguns invernos mais chuvosos,
em Miragaia que foi a Madragoa de
Pedro Homem de Mello, o Douro
salta a margem e entra pelos arcos
onde se demora no rés-do-chão
das casas, por duas madrugadas.

Mas são os estendais, à janela
agitados pelo vento nas abertas da chuva,
que nos trazem a urgência e a constância
dos corpos, nas mangas pendentes
de camisas, camisolas ou na roupa

interior, última margem dos íntimos rios,
onde os poliesteres aboliram os felpos, os linhos
as cambraias. Só a cor branca dos lençóis teima
lá no alto, a abrir velas ao desejo do sol
e à memória de obscuras lavadeiras, que faziam
heróicas barrelas na espuma inocente do sabão.

Inês Lourenço, A Enganosa Respiração da Manhã
, Asa Editores, Porto,2002.

Fado, do latim fatum; ver origens e história aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Fado

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Poesia e música no Museu Soares dos Reis

Já houve uma outra sessão, também por iniciativa da SPA, no passado dia 3, intitulada "Um abraço a António Rebordão Navarro", com a participação de José Jorge Letria, João Lourenço, Helder Pacheco, António Durães e a mesma colaboração musical.