quarta-feira, 12 de junho de 2013
Fernando Pessoa
Bernardo Soares, O Livro do Desassossego.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Bernardo Soares
sábado, 26 de setembro de 2009
A nossa flor de eleição
Colhida no "mainstreet"_____________________
Prefiro as rosas, meu amor, à pátria,
E antes magnólias amo
Que a glória e a virtude.
Logo que a vida me não canse, deixo
Que a vida por mim passe
Logo que eu fique o mesmo.
Que importa àquele a quem já nada importa
Que um perca e outro vença,
Se a aurora raia sempre,
Se cada ano com a Primavera
As folhas aparecem
E com o Outono cessam?
E o resto, as outras coisas que os humanos
Acrescentam à vida
Que me aumentam na alma?
Nada, salvo o desejo de indif'rença
E a confiança mole
Na hora fugitiva.
Ricardo Reis (Odes)
sábado, 13 de junho de 2009
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AUTOPSICOGRAFIA
O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lèem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
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Nota: escolhi este conhecidíssimo poema do ortónimo, pois a verdadeira iluminação do "fazer poético" que ele comunica, ainda não foi entendida, depois de tanto tempo, por muitos que se julgam poetas e por grande massa de leitores e não-leitores que continuam a considerar a escrita poética um retórico ornamento de paixões ou vazadouro inerme de outros "pathos", ou ainda o pretexto servil e pindérico para dourar qualquer rito.
Ainda há muito quem cofunda autor com obra. O "Je est un autre" do Rimbaud, a cisão do "ego" freudiana, nos inícios do séc XX, pouco interessam. Os grandes estudos saussureanos sobre a Língua e tudo que daí derivou, nada aproveitam.
Daí a afirmação da ficção, do fingimento pessoano, que magistralmente, neste poema, faz o roteiro da transmigração dolorosa de um possível acontecimento biográfico" para um texto poético. Nesse texto pode já quase nada haver de biográfico, pois a dor inicial, ao lexicalizar-se, ao entrar no jogo de "enjambement" do poema, passou do "deveras sente" para o "fingir que é dor".
"Sentir, sinta quem lê", diz o poeta noutro poema. Isto transporta-nos para a "dor lida". O poeta é o seu primeiro leitor. Logo, as tais ""duas que ele teve": a dor de escrever e a dor de se ler, tantas vezes inconformado com o resultado e destruindo o que escreveu.
terça-feira, 2 de junho de 2009
Não só quem nos odeia ou nos inveja
Não só quem nos odeia ou nos inveja
Nos limita e oprime; quem nos ama
Não menos nos limita.
Que os deuses me concedam que, despido
De afectos, tenha a fria liberdade
Dos píncaros sem nada.
Quem quer pouco, tem tudo; quem quer nada
É livre; quem não tem, e não deseja,
Homem, é igual aos deuses.
Ricardo Reis
