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(...)
"Imagino pois uma espécie de utopia, em que os textos escritos com gozo poderiam circular fora de qualquer instância mercantil, e em que, por conseguinte, não teriam aquilo a que se chama - com uma palavra assaz atroz - uma grande difusão. Há vinte anos, a filosofia era ainda muito hegeliana e jogava muito com a ideia de totalização. Hoje, a própria filosofia se pluralizou e portanto podem imaginar-se utopias de tipo mais grupuscular. Mais falansteriano..
Esses textos circulariam então em pequenos grupos, entre amizades e por conseguinte seria verdadeiramente a circulaação do desejo de escrever e do gozo de ler, que formaria bola de neve, e se encadearia fora de qualquer instância (...)
ESCREVER...PARA QUÊ, PARA QUEM?, Edições 70, Lisboa s/d
1.ª ed. francesa, Grenoble, 1974
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Nota: Descobri Barthes no fim dos anos 70. "Mitologias", "O Grau Zero da Escrita", o inesquecível "O Prazer do Texto", que li e reli e conservo, como os restantes, cheio de sublinhados, "Sade, Fourier, Loyola", "A Câmara Clara", etc, etc.
A sua morte, de acidente de viação e o preconceito das novas gerações e programas pedagógicos contra a cultura francófona, lançaram -no, aparentemente, no esquecimento.
No entanto, este pequeno excerto, quase profetiza a blogosfera.
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sábado, 9 de maio de 2009
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