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quinta-feira, 15 de outubro de 2020
terça-feira, 16 de julho de 2019
Os riscos de compor no feminino
"Os riscos de compor no feminino: a presença oculta das mulheres compositoras na história da música ocidental”. Tema da conferência do musicólogo RUI VIEIRA NERY, na abertura do 40º Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim. No passado dia 6 de Julho, no Cine-Teatro Garrett.
quinta-feira, 26 de abril de 2018
DIA MUNDIAL DO LIVRO
OS LIVROS
Os livros duram séculos e...
falam da melodia da chuva,
dos rios e dos mares, das fontes,
dos húmidos beijos dos
amantes, mas também
Os livros duram séculos e...
falam da melodia da chuva,
dos rios e dos mares, das fontes,
dos húmidos beijos dos
amantes, mas também
morrem despedaçados num
qualquer temporal que parte
as vidraças e lhes tolhe as páginas
numa brutal invasão líquida.
E falam do fogo
das paixões, de estrelas
a arder no infinito,
mas o convívio das chamas
é-lhes vedado, apesar
da torpe ignorância
a isso os ter condenado
tantas vezes.
Quantos naufrágios e incêndios
os destruiram, para depois
ressurgirem múltiplos,
audazes amigos tão antigos e
tão novos.
I.L.
in "Coisas Que Nunca", & etc, Lisboa 2010
qualquer temporal que parte
as vidraças e lhes tolhe as páginas
numa brutal invasão líquida.
E falam do fogo
das paixões, de estrelas
a arder no infinito,
mas o convívio das chamas
é-lhes vedado, apesar
da torpe ignorância
a isso os ter condenado
tantas vezes.
Quantos naufrágios e incêndios
os destruiram, para depois
ressurgirem múltiplos,
audazes amigos tão antigos e
tão novos.
I.L.
in "Coisas Que Nunca", & etc, Lisboa 2010
segunda-feira, 20 de maio de 2013
A semana que passou
Um pouco distraída da actualidade tuga, para não entrar em constatações deprimentes, apetece-me, hoje alumiar (ou escurecer) alguns episódios semi-burlescos da semana passada. Começarei pelo caricato português do Prof. Cavaco, com os seus "cidadões", que até nem resistiu a bisar na mesma frase. Ainda a mesma personagem resolveu convocar a mãe de Cristo para assuntos de traficância e agiotagem financeira, com a evocação de uma deliciosa cena doméstica digna dos velhos livros da Instrução Primária do Estado Novo.
Outro assunto da semana ou mais concretamente de domingo, foram as excitações futebolísticas. Claro que eu até acho graça às vitórias do F.C.P. perante a estultícia e o convencimento do clube da capital do império. Acho menos graça aos 4 milhões que esse mesmo clube paga, ao que dizem, ao seu treinador, que pelos vistos até nem ganha taças nem campeonatos. Quanto ao jogo ou à indústria que tanto ocupa e faz vibrar tanta gente, temos que nos render ao facto de que faz parte do nosso mundo. Mas, acaba por ser uma cena primitiva e atávica, que muitas vezes despoleta os piores instintos nos seres humanos e fazer meia dúzia de tipos, no mundo, ganhar quantias obscenas. No joguinho, lá está a arena verde, as massas ululantes a reclamar identidades, cores e pertenças, lá está uma catrefada de violadores das redes, enquanto outros potenciais violadores da baliza do "inimigo" defendem a própria, apesar de lesões, punições e insultos. Lá está um juíz, que apesar dos avanços tecnológicos continua a "julgar" a olho nu, para que assim o erro e caganeira humana, que quase sempre tráz cifrões na ponta, possam continuar a entreter a turba. Por tudo isto este é um grande "desporto" de massas...
Parece mesmo que a única coisa ética e humanamente válida desta semana, foi a aprovação no nosso desclassificado Parlamento de uma lei que procura fazer justiça a gente de bem.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Avacalhamentos
Há algumas diferenças entre boçalidades e vernáculo. No programa de entretenimento, de uma das nossas estações televisivas, a famigerada "Casa dos Segredos", só da mais repelente boçalidade se trata. Sim, porque umas vernáculas caralhadas ou exclamativos "foda-se", usam-se na melhor literatura. Mas, aquela insistência badalhoca de falar constantemente em "por cima e por baixo", se os concorrentes estão, ó suprema epifania, encaixar-se debaixo dos edredons é de vómitos, reduzindo as pessoas a microcéfalos apenas com existência da cinta para baixo. Recuso-me a admitir, que aquela gentinha rasca, tem alguma coisa a haver com uma desejável juventude portuguesa. Engalanar os corpos, bem despidinhos e depilados, sem cuidar de outras características do humano é uma orientação horrenda e condenável, sobretudo se se trata de um programa de larga audiência, visto por pré-adolescentes e crianças.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Resolutamente contra
"Enviado por um amigo por mail:
RESOLUTAMENTE CONTRA O ACORDO ORTOGRÁFICO
Aproveitando o gesto louvável de Vasco Graça Moura, aqui ficam uma série de detalhes claros sobre a natureza jurídica do Acordo Ortográfico de 1990:
1 - A nova ortografia, acordada pelo Acordo Ortográfico de 1990 (AO90), foi promulgada pela Resolução da Assembleia da República (AR) n.º 26/91, de 23 de Agosto (com pequenas a...ctualizações posteriores), e pormenorizada pela Resolução do Conselho de Ministros (CM) n.º 8/2011.
2 - A ortografia ainda em vigor, acordada pelo Acordo Ortográfico de 1945 (AO45), foi promulgada pelo Decreto n.º 35.228 de 8 de Dezembro de 1945, e ratificada em 1973, com pequenas alterações, pelo Decreto-Lei n.º 32/73 de 6 de Fevereiro.
3 - O Código do Direito de Autor e Direitos Conexos foi promulgado pelo Decreto-Lei n.º 63/85, de 14 de Março (com pequenas actualizações posteriores).
4 - Na hierarquia legislativa um Decreto-Lei está acima duma Resolução da AR ou do CM. Um Decreto-Lei é vinculativo, ao passo que uma Resolução é uma mera recomendação.
5 - Por conseguinte, uma Resolução não tem força legal para revogar um Decreto-Lei, e por isso o AO45 continua em vigor.
6 - Em caso de conflito entre a nova ortografia e o Direito do Autor, o que prevalece é o Decreto-Lei do Direito de Autor.
7 - Em consequência, nenhum editor é obrigado a editar os seus livros ou as suas publicações segundo a nova ortografia, nem nenhum Autor é obrigado a escrever os seus textos segundo o AO90. Mais ainda: tentar impor a nova ortografia do AO90 é um acto ilegal, porque o que continua legalmente em vigor é o AO45.
8 - Ao abrigo do Código do Direito de Autor, os Autores têm o direito de preservar a sua própria opção ortográfica, conforme consta do n.º 1 do Art. 56.º do Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos, onde se diz que o autor goza durante toda a vida do direito de assegurar a genuinidade e integridade da sua obra, opondo-se à sua destruição, a toda e qualquer mutilação, deformação ou outra modificação da mesma, e, de um modo geral, a todo e qualquer acto que a desvirtue."
Nota: Texto recolhido no mural do Facebook de Vitor Manuel Oliveira Jorge.
Mais se acrescenta que nem a Casa de Serralves nem a Casa da Música, instituições culturais do Porto, adoptaram o novo acordo ortográfico.
RESOLUTAMENTE CONTRA O ACORDO ORTOGRÁFICO
Aproveitando o gesto louvável de Vasco Graça Moura, aqui ficam uma série de detalhes claros sobre a natureza jurídica do Acordo Ortográfico de 1990:
1 - A nova ortografia, acordada pelo Acordo Ortográfico de 1990 (AO90), foi promulgada pela Resolução da Assembleia da República (AR) n.º 26/91, de 23 de Agosto (com pequenas a...ctualizações posteriores), e pormenorizada pela Resolução do Conselho de Ministros (CM) n.º 8/2011.
2 - A ortografia ainda em vigor, acordada pelo Acordo Ortográfico de 1945 (AO45), foi promulgada pelo Decreto n.º 35.228 de 8 de Dezembro de 1945, e ratificada em 1973, com pequenas alterações, pelo Decreto-Lei n.º 32/73 de 6 de Fevereiro.
3 - O Código do Direito de Autor e Direitos Conexos foi promulgado pelo Decreto-Lei n.º 63/85, de 14 de Março (com pequenas actualizações posteriores).
4 - Na hierarquia legislativa um Decreto-Lei está acima duma Resolução da AR ou do CM. Um Decreto-Lei é vinculativo, ao passo que uma Resolução é uma mera recomendação.
5 - Por conseguinte, uma Resolução não tem força legal para revogar um Decreto-Lei, e por isso o AO45 continua em vigor.
6 - Em caso de conflito entre a nova ortografia e o Direito do Autor, o que prevalece é o Decreto-Lei do Direito de Autor.
7 - Em consequência, nenhum editor é obrigado a editar os seus livros ou as suas publicações segundo a nova ortografia, nem nenhum Autor é obrigado a escrever os seus textos segundo o AO90. Mais ainda: tentar impor a nova ortografia do AO90 é um acto ilegal, porque o que continua legalmente em vigor é o AO45.
8 - Ao abrigo do Código do Direito de Autor, os Autores têm o direito de preservar a sua própria opção ortográfica, conforme consta do n.º 1 do Art. 56.º do Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos, onde se diz que o autor goza durante toda a vida do direito de assegurar a genuinidade e integridade da sua obra, opondo-se à sua destruição, a toda e qualquer mutilação, deformação ou outra modificação da mesma, e, de um modo geral, a todo e qualquer acto que a desvirtue."
Nota: Texto recolhido no mural do Facebook de Vitor Manuel Oliveira Jorge.
Mais se acrescenta que nem a Casa de Serralves nem a Casa da Música, instituições culturais do Porto, adoptaram o novo acordo ortográfico.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Too Much Love...
Neste 31 de Janeiro, não me apetece recordar a intentona republicana cá do burgo (1891). Já o fiz noutros anos, mas com esta friagem de Janeiro, que parece que vai piorar, prefiro aquecer-me com a bela canção de Freddie Mercury. Não se morre só pelo amor da liberdade...
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
GREVE
Greve, sim. Não apenas por causa da austeridade, da perda de subsídios e cortes nos vencimentos, congelamentos vários, desemprego e falências de toda a ordem. Mas também pelo previsível ataque, que as forças da antigalha conservadora, não deixarão de lançar às leis que europeizaram a sociedade portuguesa. Em Espanha, os recém-chegados ao poder, velhas raposas há muito conhecidas, já falaram em rever a lei do Casamento Gay e quiçá da Lei do Aborto.
Mas, ainda muito mais greve a este estado actual de subserviência a troikas mandonas, a agências de rating usurárias e sem rosto, à perda cada vez mais dolorosa da nossa independência política na senda da económica. Acima de qualquer governo que os portugueses possam eleger estão os ditames do FMI, do BEI e da Finança Internacional.
Quem é esta gente, estes merceeiros sem escrúpulos para mandar num país que tem as fronteiras mais antigas da Europa? Sim, porque alemanhas, itálias, áustrias, franças, já para não falar na grande nação norte americana que só nasceu no século XVIII, não passavam de constelações de principados e domínios senhoriais, quando Portugal já era uma nação autónoma e una, que cunhava moeda há muitos séculos. A Itália só se unificou com Garibaldi, no século XIX; a Alemanha, com Bismarck, idem, isto só para citar dois exemplos.
Por isso, causa algumas náuseas ver o sindroma Passos Coelho de bom aluno papalvo, atento e venerador, perante a ditadura dos mercados e seus representantes.
Que havemos de fazer???
Talvez mantermo-nos com as nossas sardinhas assadas e o nosso caldo verde, acompanhadas com um bom naco de boroa. Desistirmos dos Mercedes, casas com piscina e outras mordomias passíveis de substituição por artefactos mais modestos. Um País que tem um Camões e um Pessoa, não pode curvar a cabeça a essa gentalha, novos-ricos da História que estão a precipitar a decadência da civilização europeia e dos seus valores mais admiráveis.
POR TUDO ISTO, ESTAMOS EM GREVE.
Mas, ainda muito mais greve a este estado actual de subserviência a troikas mandonas, a agências de rating usurárias e sem rosto, à perda cada vez mais dolorosa da nossa independência política na senda da económica. Acima de qualquer governo que os portugueses possam eleger estão os ditames do FMI, do BEI e da Finança Internacional.
Quem é esta gente, estes merceeiros sem escrúpulos para mandar num país que tem as fronteiras mais antigas da Europa? Sim, porque alemanhas, itálias, áustrias, franças, já para não falar na grande nação norte americana que só nasceu no século XVIII, não passavam de constelações de principados e domínios senhoriais, quando Portugal já era uma nação autónoma e una, que cunhava moeda há muitos séculos. A Itália só se unificou com Garibaldi, no século XIX; a Alemanha, com Bismarck, idem, isto só para citar dois exemplos.
Por isso, causa algumas náuseas ver o sindroma Passos Coelho de bom aluno papalvo, atento e venerador, perante a ditadura dos mercados e seus representantes.
Que havemos de fazer???
Talvez mantermo-nos com as nossas sardinhas assadas e o nosso caldo verde, acompanhadas com um bom naco de boroa. Desistirmos dos Mercedes, casas com piscina e outras mordomias passíveis de substituição por artefactos mais modestos. Um País que tem um Camões e um Pessoa, não pode curvar a cabeça a essa gentalha, novos-ricos da História que estão a precipitar a decadência da civilização europeia e dos seus valores mais admiráveis.
POR TUDO ISTO, ESTAMOS EM GREVE.
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Leonardo di Caprio pintou a Capela Sistina
Vox Pop: A ignorância dos nossos universitários
16-11-2011
Enquanto Portugal se ri da auxiliar de acção médica concorrente da Casa dos Segredos, que julga que África é um país da América do Sul, a SÁBADO fez um teste básico a 100 alunos de universidades de Lisboa.
Ana Amaro, de 18 anos, que frequenta a licenciatura com o mestrado integrado em Psicologia do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), está a fumar à porta da faculdade, em Alfama. Aceita participar no teste de cultura geral da SÁBADO (20 perguntas, divididas por dois questionários de 10, ambos com um grau de dificuldade mínimo), mas está mais preocupada em acabar o cigarro. À quinta questão (qual é a capital dos Estados Unidos?), começa a atrapalhar-se. “Estados Unidos...? A esta hora é muita mau”, queixa-se. Não são 7h, são 13h30, e os colegas começam a sair para o almoço. Mas Ana parece ter acordado há 10 minutos, suspeita que a própria confirma.
A partir daí, é sempre a cair.
Não sabe quem escreveu O Evangelho Segundo Jesus Cristo, quem fundou a Microsoft, quem é Maria João Pires nem que instrumento toca. E não parece preocupada. Afinal, acabou de acordar.
“Não dei isso no 12.º ano”, “Cinema não é comigo”, “Não me dou bem com a literatura” – na arte de justificar a ignorância, os estudantes universitários inquiridos pela SÁBADO têm nota máxima. “Se perguntasse alguma coisa de psicologia, agora cultura geral...”, diz Janine Pinto, optando pela desculpa número um.
– Quem pintou o tecto da Capela Sistina?
– Ai, agora... Tudo o que tem a ver com capelas e igrejas não sei (desculpa número dois dos universitários).
– E quem escreveu O Evangelho Segundo Jesus Cristo?
– Eh pá! Coisas com Jesus Cristo?! Sou fraca em religião ... (desculpa número três).
E se é que isto serve de desculpa, aqui vai a número quatro: Janine, tal como muitos outros inquiridos, não está num curso de Teologia, nem de Artes.
Mas Bruno Marques, 18 anos, no 1.º ano de Ciências da Cultura na Faculdade de Letras, escorrega num tema que deveria dominar.
– Quem é Manoel de Oliveira?
– Já ouvi falar, mas não sei quem é.
– Estás em Ciências da Cultura. Dás Cinema?
– Sim, algumas coisinhas, mas não sei...
Pedro Besugo, 18 anos, estreante no curso de Turismo da Lusófona, admite não saber qual é a capital de Itália. Perante a insistência da SÁBADO (“Então estás a tirar Turismo e não sabes?”), responde: “Será Florença?” Não é. Como também não é Veneza, nem Milão ou Nápoles, como outros responderam.
Não saber quem pintou a Capela Sistina ou Mona Lisa (um aluno responde Miguel Arcanjo; outro Leonardo di Caprio) é igualmente grave. Talvez não tanto como pensar que África é um país da América do Sul ou não fazer ideia do que é um alpendre. Mas Cátia Palhinhas, do reality show Casa dos Segredos2, autora destas e de outras respostas, que põem o público a rir, não frequenta o ensino superior – é auxiliar de acção médica e está a tirar o 12.º ano à noite no programa Novas Oportunidades.
Aos 22 anos, sonha tornar-se “conhecida e vencer na televisão”. Por isso, não está nada preocupada em saber qual o maior mamífero do mundo – “É o dinossauro!”, disse há umas semanas.
Há universitários que respondem “mamute” à mesma questão. Catarina, 20 anos, aluna de Psicologia do ISPA, fica na dúvida: “É o elefante. É o mamute. É o elefante. Acho que é o elefante. O elefante é de África e o mamute da Antárctida”.
Por André Barbosa e Tânia Pereirinha e imagem de Joana Mouta e Bruno Vaz.
In Revista Sábado
16-11-2011
Enquanto Portugal se ri da auxiliar de acção médica concorrente da Casa dos Segredos, que julga que África é um país da América do Sul, a SÁBADO fez um teste básico a 100 alunos de universidades de Lisboa.
Ana Amaro, de 18 anos, que frequenta a licenciatura com o mestrado integrado em Psicologia do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), está a fumar à porta da faculdade, em Alfama. Aceita participar no teste de cultura geral da SÁBADO (20 perguntas, divididas por dois questionários de 10, ambos com um grau de dificuldade mínimo), mas está mais preocupada em acabar o cigarro. À quinta questão (qual é a capital dos Estados Unidos?), começa a atrapalhar-se. “Estados Unidos...? A esta hora é muita mau”, queixa-se. Não são 7h, são 13h30, e os colegas começam a sair para o almoço. Mas Ana parece ter acordado há 10 minutos, suspeita que a própria confirma.
A partir daí, é sempre a cair.
Não sabe quem escreveu O Evangelho Segundo Jesus Cristo, quem fundou a Microsoft, quem é Maria João Pires nem que instrumento toca. E não parece preocupada. Afinal, acabou de acordar.
“Não dei isso no 12.º ano”, “Cinema não é comigo”, “Não me dou bem com a literatura” – na arte de justificar a ignorância, os estudantes universitários inquiridos pela SÁBADO têm nota máxima. “Se perguntasse alguma coisa de psicologia, agora cultura geral...”, diz Janine Pinto, optando pela desculpa número um.
– Quem pintou o tecto da Capela Sistina?
– Ai, agora... Tudo o que tem a ver com capelas e igrejas não sei (desculpa número dois dos universitários).
– E quem escreveu O Evangelho Segundo Jesus Cristo?
– Eh pá! Coisas com Jesus Cristo?! Sou fraca em religião ... (desculpa número três).
E se é que isto serve de desculpa, aqui vai a número quatro: Janine, tal como muitos outros inquiridos, não está num curso de Teologia, nem de Artes.
Mas Bruno Marques, 18 anos, no 1.º ano de Ciências da Cultura na Faculdade de Letras, escorrega num tema que deveria dominar.
– Quem é Manoel de Oliveira?
– Já ouvi falar, mas não sei quem é.
– Estás em Ciências da Cultura. Dás Cinema?
– Sim, algumas coisinhas, mas não sei...
Pedro Besugo, 18 anos, estreante no curso de Turismo da Lusófona, admite não saber qual é a capital de Itália. Perante a insistência da SÁBADO (“Então estás a tirar Turismo e não sabes?”), responde: “Será Florença?” Não é. Como também não é Veneza, nem Milão ou Nápoles, como outros responderam.
Não saber quem pintou a Capela Sistina ou Mona Lisa (um aluno responde Miguel Arcanjo; outro Leonardo di Caprio) é igualmente grave. Talvez não tanto como pensar que África é um país da América do Sul ou não fazer ideia do que é um alpendre. Mas Cátia Palhinhas, do reality show Casa dos Segredos2, autora destas e de outras respostas, que põem o público a rir, não frequenta o ensino superior – é auxiliar de acção médica e está a tirar o 12.º ano à noite no programa Novas Oportunidades.
Aos 22 anos, sonha tornar-se “conhecida e vencer na televisão”. Por isso, não está nada preocupada em saber qual o maior mamífero do mundo – “É o dinossauro!”, disse há umas semanas.
Há universitários que respondem “mamute” à mesma questão. Catarina, 20 anos, aluna de Psicologia do ISPA, fica na dúvida: “É o elefante. É o mamute. É o elefante. Acho que é o elefante. O elefante é de África e o mamute da Antárctida”.
Por André Barbosa e Tânia Pereirinha e imagem de Joana Mouta e Bruno Vaz.
In Revista Sábado
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Eugénio, sempre
Carlos Torres Figueiredo vence Prémio de Poesia Eugénio de Andrade
O volume “A Criança que Ri.” valeu a Carlos Torres Figueiredo – um nome até agora desconhecido no mundo literário – o Prémio de Poesia Eugénio de Andrade, lançado este ano pelo editor portuense José da Cruz Santos e pela chancela Modo de Ler.
Esta primeira edição do prémio teve um júri presidido por Luís Adriano Carlos, em representação da Modo de Ler, e incluiu também Inês Lourenço, Jorge Sousa Braga, José Manuel Mendes, Miguel Moura (em representação da família herdeira de Eugénio de Andrade) e Luís Miguel Queirós.
O júri escolheu “A Criança que Ri.” por unanimidade, de um conjunto de cerca de meia centena de obras enviadas a concurso.
O prémio – no valor de 10 mil euros e com o patrocínio do BPI, da Rosto Editora e dos herdeiros de Eugénio de Andrade – vai ser entregue a Carlos Torres Figueiredo numa cerimónia pública a realizar no Porto a 19 de Janeiro de 2012, dia do nascimento do poeta de “As Mãos e os Frutos”.
Está previsto que o Prémio de Poesia Eugénio de Andrade tenha periodicidade bienal.
In Público de 12.11.2011
O volume “A Criança que Ri.” valeu a Carlos Torres Figueiredo – um nome até agora desconhecido no mundo literário – o Prémio de Poesia Eugénio de Andrade, lançado este ano pelo editor portuense José da Cruz Santos e pela chancela Modo de Ler.
Esta primeira edição do prémio teve um júri presidido por Luís Adriano Carlos, em representação da Modo de Ler, e incluiu também Inês Lourenço, Jorge Sousa Braga, José Manuel Mendes, Miguel Moura (em representação da família herdeira de Eugénio de Andrade) e Luís Miguel Queirós.
O júri escolheu “A Criança que Ri.” por unanimidade, de um conjunto de cerca de meia centena de obras enviadas a concurso.
O prémio – no valor de 10 mil euros e com o patrocínio do BPI, da Rosto Editora e dos herdeiros de Eugénio de Andrade – vai ser entregue a Carlos Torres Figueiredo numa cerimónia pública a realizar no Porto a 19 de Janeiro de 2012, dia do nascimento do poeta de “As Mãos e os Frutos”.
Está previsto que o Prémio de Poesia Eugénio de Andrade tenha periodicidade bienal.
In Público de 12.11.2011
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
"O medo da Democracia"
Bastou o primeiro-ministro grego anunciar que consultará o povo, através de referendo, sobre as novas e gravosas medidas de austeridade e perda total da soberania orçamental impostas ao país pelos "mercados" e seus comissários políticos em Bruxelas e nos governos de Berlim e Paris para cair a máscara democrática desta gente.
Na pátria da Democracia, o Governo decide-se por um processo democrático básico e Sarkozy fica "consternado" e considera a decisão "irracional" enquanto alemães e FMI se mostram "irritados" e "furiosos" com ela. E Merkel e Sarkozy assinam um comunicado conjunto dizendo-se "determinados" a fazer com que a Grécia cumpra as suas imposições e lhes ceda o que ainda lhe resta de soberania; só lhes faltou acrescentar "queiram os gregos ou não queiram" e mobilizar a Wehrmacht e a "Force de Frappe"...
Até Paulo Portas, ministro de uma coligação eleita com base em compromissos eleitorais imediatamente rasgados mal tomou posse, está "apreensivo".
O medo que esta gente, que tanto fala em Democracia, tem da Democracia é assustador. Aparentemente, o projecto de suspensão da Democracia por 6 meses (ou por 48 anos) estará já em curso. Pinochet aplicou no Chile as receitas de Milton Friedman suspendendo sangrentamente a Democracia. Como é que "boys" de Chicago como Gaspar ou Santos Pereira, que chegaram a ministros sem nunca antes terem governado sequer uma mercearia, o fariam em Democracia?
Manuel António Pina in JN 2 de Novembro de 2011
domingo, 11 de setembro de 2011
A interrogação de Carl Sagan
Pitágoras triunfou. Os números são a realidade. Por isso se começou a falar deste 11 de Setembro com semanas de antecedência. Por isso se sente a pressão para dizer (ainda mais) qualquer coisa neste ano. Porque é o décimo. Como se isso o fizesse qualitativamente diferente do nono e do décimo primeiro. Como se só pudéssemos voltar ao assunto, ou ser tão profundos, exaltados e definitivos, no vigésimo aniversário. Eis a decisiva importância sentimental do zero, um nada que é tudo.
O que mais me surpreendeu nesse dia foram as piadas que apareceram horas depois. Horas depois. De pessoas com quem me dava com menor ou maior proximidade. Só porque o alvo tinha sido a América, as vítimas os americanos. Significava que havia uma outra forma de terror muito mais insidiosa, a ausência de empatia naqueles com quem partilhamos o espaço e o tempo.
O que o 11 de Setembro representa transcende a alegada questão política. A sua mensagem é verdadeiramente apocalíptica. Diz-nos que haverá sempre alguém que fará tudo o que puder, recorrendo a complexas capacidades cognitivas e força de vontade, para destruir a Humanidade. Caso tenha os meios para isso, ser-lhe-á igual destruir um autocarro, comboios, arranha-céus ou a Terra inteira. Aliás, para este tipo de martírio psicótico, quão maior a destruição, maior a felicidade.
Quando Carl Sagan se questionava a respeito da possibilidade de existir vida inteligente noutros planetas, punha como hipótese que as civilizações galácticas pudessem autodestruir-se após chegaram a um certo ponto de desenvolvimento tecnológico. Temos essa capacidade por via das armas nucleares e das restantes tecnologias destrutivas que sempre nascem do avanço científico. Dada a pulsão irracional que transportamos, que até leva potenciais vítimas do terror a defender os terroristas, talvez esta experiência da civilização num discreto planeta nas bordas da galáxia seja um mero ensaio que correu mal. Num outro planeta, dos triliões que existem, certamente as coisas correrão melhor. No universo, o que não falta são locais para a Criação ir tentando até acertar. E, dizem ainda outros, o que não falta são universos. Infinitos.
in Aspirina B
O que mais me surpreendeu nesse dia foram as piadas que apareceram horas depois. Horas depois. De pessoas com quem me dava com menor ou maior proximidade. Só porque o alvo tinha sido a América, as vítimas os americanos. Significava que havia uma outra forma de terror muito mais insidiosa, a ausência de empatia naqueles com quem partilhamos o espaço e o tempo.
O que o 11 de Setembro representa transcende a alegada questão política. A sua mensagem é verdadeiramente apocalíptica. Diz-nos que haverá sempre alguém que fará tudo o que puder, recorrendo a complexas capacidades cognitivas e força de vontade, para destruir a Humanidade. Caso tenha os meios para isso, ser-lhe-á igual destruir um autocarro, comboios, arranha-céus ou a Terra inteira. Aliás, para este tipo de martírio psicótico, quão maior a destruição, maior a felicidade.
Quando Carl Sagan se questionava a respeito da possibilidade de existir vida inteligente noutros planetas, punha como hipótese que as civilizações galácticas pudessem autodestruir-se após chegaram a um certo ponto de desenvolvimento tecnológico. Temos essa capacidade por via das armas nucleares e das restantes tecnologias destrutivas que sempre nascem do avanço científico. Dada a pulsão irracional que transportamos, que até leva potenciais vítimas do terror a defender os terroristas, talvez esta experiência da civilização num discreto planeta nas bordas da galáxia seja um mero ensaio que correu mal. Num outro planeta, dos triliões que existem, certamente as coisas correrão melhor. No universo, o que não falta são locais para a Criação ir tentando até acertar. E, dizem ainda outros, o que não falta são universos. Infinitos.
in Aspirina B
segunda-feira, 13 de junho de 2011
O recato dos cães-de-fila
A Direita recentemente eleita em Portugal, pede agora recato, discrição e congeminações políticas fora da "praça pública". Então onde estão as "transparências" que tanto apregoavam enquanto depejavam as piores escórias sobre Sócrates e o seu governo?
Ainda há-de ser feito um estudo de base psicanalítica da identidade lusa, acerca da demonização da figura de Sócrates levada a efeito, não só pelas classes pouco instruídas, mas também pelas classes mais informadas e com responsabilidades teóricas. Estas, mal dissimulando os seus interesses partidários e ressentimentos de vária índole, acabaram por engrossar o caudal de mastins agressivos e mentalmente pútridos que se colocaram ao lado dos guerrilheiros anti-Sócrates.
A parvoíce foi tamanha que, na noite das eleições, ouvi ingénuas cidadãs a festejar a vitória das direitas com a frase: "O que interssava era tirar de lá o Sócrates." Ainda hoje fui ao meu dentista, que citando o merceeiro Belmiro de Azevedo, disse mais ou menos o mesmo.
E então qual a reflexão, o progresso social ou ideológico, a ética republicana, o humanismo que reflectem estes "desabafos"? Ou o ganho económico?
Da cegueira de um Zé Povinho iletrado, com os seus "tomas" e outros meneios básicos, ainda se poderá esperar tudo e, quiçá, desculpar outro tanto, mas de gente como José Gil, que escreveu sobre o medo de existir dos portugueses, ou António Barreto, sociólogo com peneiras a presidenciável, não se esperava atitudes tão odientas.
Quanto ao António Barreto, indigitado para presidir às comemorações do Dia de Portugal por Cavaco Silva, é de facto mais uma das singulares opções para tal efeito, do PR. Pobre Camões, tão menosprezado pelos poderes do seu tempo, e que serve de álibi para uns políticos narcísicos, cheios de ganância de poder e das mais-valias que ele confere, cantarem de galo umas soturnas contradições.
Aliás, o PR Cavaco Silva tem uma espécie de toque de Midas invertido: rodeia-se de gente questionável a muitos títulos, tipo Dias Loureiro, Catroga, Manuela Ferreira Leite, etc. Foi deprimente a lista de condecorações do 10 de Junho. A seguir a MFL, boa percentagem de grandes postos militares. A disfarçar, lá estava um bombeiro com cem anos.
Ainda há-de ser feito um estudo de base psicanalítica da identidade lusa, acerca da demonização da figura de Sócrates levada a efeito, não só pelas classes pouco instruídas, mas também pelas classes mais informadas e com responsabilidades teóricas. Estas, mal dissimulando os seus interesses partidários e ressentimentos de vária índole, acabaram por engrossar o caudal de mastins agressivos e mentalmente pútridos que se colocaram ao lado dos guerrilheiros anti-Sócrates.
A parvoíce foi tamanha que, na noite das eleições, ouvi ingénuas cidadãs a festejar a vitória das direitas com a frase: "O que interssava era tirar de lá o Sócrates." Ainda hoje fui ao meu dentista, que citando o merceeiro Belmiro de Azevedo, disse mais ou menos o mesmo.
E então qual a reflexão, o progresso social ou ideológico, a ética republicana, o humanismo que reflectem estes "desabafos"? Ou o ganho económico?
Da cegueira de um Zé Povinho iletrado, com os seus "tomas" e outros meneios básicos, ainda se poderá esperar tudo e, quiçá, desculpar outro tanto, mas de gente como José Gil, que escreveu sobre o medo de existir dos portugueses, ou António Barreto, sociólogo com peneiras a presidenciável, não se esperava atitudes tão odientas.
Quanto ao António Barreto, indigitado para presidir às comemorações do Dia de Portugal por Cavaco Silva, é de facto mais uma das singulares opções para tal efeito, do PR. Pobre Camões, tão menosprezado pelos poderes do seu tempo, e que serve de álibi para uns políticos narcísicos, cheios de ganância de poder e das mais-valias que ele confere, cantarem de galo umas soturnas contradições.
Aliás, o PR Cavaco Silva tem uma espécie de toque de Midas invertido: rodeia-se de gente questionável a muitos títulos, tipo Dias Loureiro, Catroga, Manuela Ferreira Leite, etc. Foi deprimente a lista de condecorações do 10 de Junho. A seguir a MFL, boa percentagem de grandes postos militares. A disfarçar, lá estava um bombeiro com cem anos.
quarta-feira, 1 de junho de 2011
O velho ilusionista
Então não é que o revelho patrão da SIC e do Expresso, do alto do seu poderio capitalista e com fumaças de aristocracia, vem chamar velho ilusionista a Sócrates? O "ilusionismo" de certos jornalistas e comentadores da SIC, que quando apresentam os seus programas só lhes falta o emblema laranja na lapela, é confrangedor. E isto não é de agora. Sempre perseguiram Sócrates e o PS, à compita com a MMG, da TVI, desde o primeiro momento. Isto para não falar das vasas que tem dado às forças de direita, no conhecido programa "Quadratura do Círculo", onde só a António Costa é permitido contestar a verrina e a má fé de Pachecos e Lobos. O número de economistas e politólogos, para usar essa caricata expressão, todos de direita, é um enfado. E aquele case study do Medina Carreira, que até se atreveu a dizer que quando Portugal foi mais próspero, foi no tempo de Salazar? Este, mais o dos pentelhos deviam de fazer uma reciclagem aos neurónios. Quanto ao semanário Expresso e suas orientações editoriais, sob uma capa democrática, quando a bota aperta, vê-se bem a escolha dos títulos... Vamos esperar para ver os ilusionistas que vão afadistar Portugal do lado da sina desgraçadinha.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Quem ganhou o debate
Os debates na televisão, entre candidatos às eleições legislativas, não parecem ser suficientemente elucidativos para averiguar as qualidades e os defeitos dos programas apresentados por cada partido.
Já disse, noutro post, que estas eleições, na conjuntura nacional e europeia que atravessamos eram absolutamente dispensáveis. Qualquer eleição traz consigo a encenação, a dramatização, o enfrentamento dos rivais, em resumo, todos os ingredientes do género dramático recenseado pelos teóricos da literatura.
Os presumíveis votantes assistem à "peleja" como espectadores de um desafio de futebol: o meu líder marcou golo, ou não? Chutou para canto ou não? A simples pergunta da microcéfala imprensa no final, bastamente glosada pelos comentadores e essa nova casta de papagaios chamados politólogos, sentenciando qual dos dois venceu ou saiu derrotado, é uma negação do préstimo destes debates.
Sabemos que o programa que nos foi imposto pela Troika em troca de um auxílio que vamos pagar em juros pouco meigos, é, em si, um programa de restrições e cerceamento de meios. Logo, havia de ser daí que os Partidos deveriam começar, pondo as cartas na mesa e desmascarando-se aí aqueles que querem ser mais troikistas que a Troika (vox hieronymus), seguindo uma agenda de Direita claramente ultra-liberal (PSD/CDS-PP), e os que ainda procuram escapar à voragem da penúria, remendando o Estado Social que se prevê cada vez mais magro (PS).
Das retóricas à esquerda do PS não falo, pois já riveram o seu tempo e a sua grande razão, pois as classes de que falam, se miscigenizaram e não é preciso ir depor as arrecadas no prego, para acudir a uma doença. Neste momento, sem uma revolução de mentalidades e de sistemas económicos que vá dos USA ao Japão, e do Pólo Norte ao Pólo Sul, são completamente inadequadas e até nocivas. Causa dó ver a freima com que se atiram ao PS, mortinhos por se verem cavalgados pela direita, a exemplo da nossa vizinha Espanha.
Já disse, noutro post, que estas eleições, na conjuntura nacional e europeia que atravessamos eram absolutamente dispensáveis. Qualquer eleição traz consigo a encenação, a dramatização, o enfrentamento dos rivais, em resumo, todos os ingredientes do género dramático recenseado pelos teóricos da literatura.
Os presumíveis votantes assistem à "peleja" como espectadores de um desafio de futebol: o meu líder marcou golo, ou não? Chutou para canto ou não? A simples pergunta da microcéfala imprensa no final, bastamente glosada pelos comentadores e essa nova casta de papagaios chamados politólogos, sentenciando qual dos dois venceu ou saiu derrotado, é uma negação do préstimo destes debates.
Sabemos que o programa que nos foi imposto pela Troika em troca de um auxílio que vamos pagar em juros pouco meigos, é, em si, um programa de restrições e cerceamento de meios. Logo, havia de ser daí que os Partidos deveriam começar, pondo as cartas na mesa e desmascarando-se aí aqueles que querem ser mais troikistas que a Troika (vox hieronymus), seguindo uma agenda de Direita claramente ultra-liberal (PSD/CDS-PP), e os que ainda procuram escapar à voragem da penúria, remendando o Estado Social que se prevê cada vez mais magro (PS).
Das retóricas à esquerda do PS não falo, pois já riveram o seu tempo e a sua grande razão, pois as classes de que falam, se miscigenizaram e não é preciso ir depor as arrecadas no prego, para acudir a uma doença. Neste momento, sem uma revolução de mentalidades e de sistemas económicos que vá dos USA ao Japão, e do Pólo Norte ao Pólo Sul, são completamente inadequadas e até nocivas. Causa dó ver a freima com que se atiram ao PS, mortinhos por se verem cavalgados pela direita, a exemplo da nossa vizinha Espanha.
sexta-feira, 20 de maio de 2011
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Vernáculo
As recentes catroguices, introduzindo no argumentário que se pretende político certos vocábulos e certas comparações a figuras históricas, que só a um esgar burlesco podem corresponder, confirmam-nos cada vez mais que estas eleições eram desnecessárias, com o seu cortejo de troikas e respectivas consequências. Sim, porque o actual PM demissionário, não cumpriu o mandato de mais dois anos, para que foi eleito democraticamente.
Este facto é sucessivamente mascarado por toda a gente; assim como a nociva acção de toda a oposição durante a governação de Sócrates, aliando-se contra qualquer medida de racionalização de serviços e custos do Estado. A hipócrita entente de direitas e esquerdas, de braço dado em manifestações e votações de leis, só com o fito de derrubar o odiado PM (isto sem falar nas campanhas ad hominem), foi um espectáculo triste e degradante sobre o exercício da política.
Na última edição do semanário Expresso, Miguel Sousa Tavares acaba a sua crónica com a seguinte constatação: "Já sabíamos que Sócrates tem sete vidas, mas oito?" Esperemos que o vernáculo catroguismo, o estilo pimba de Passos Coelho e de outras abencerragens do PSD, mais as retóricas à 1917 de uma esquerda irrealista, não nos lancem para a apagada e vil tristeza, de além de sermos pobres, sermos pindéricos mentais.
E os que gostam de liberdades sociais, não se iludam. Com o advento da nossa Direita, ligada à Igreja Católica e ao respeitinho cavernícola, trará revisões das leis da IVG, da homossexualidade e o testamento vital, que ficará adiado para daqui a cem anos.
Este facto é sucessivamente mascarado por toda a gente; assim como a nociva acção de toda a oposição durante a governação de Sócrates, aliando-se contra qualquer medida de racionalização de serviços e custos do Estado. A hipócrita entente de direitas e esquerdas, de braço dado em manifestações e votações de leis, só com o fito de derrubar o odiado PM (isto sem falar nas campanhas ad hominem), foi um espectáculo triste e degradante sobre o exercício da política.
Na última edição do semanário Expresso, Miguel Sousa Tavares acaba a sua crónica com a seguinte constatação: "Já sabíamos que Sócrates tem sete vidas, mas oito?" Esperemos que o vernáculo catroguismo, o estilo pimba de Passos Coelho e de outras abencerragens do PSD, mais as retóricas à 1917 de uma esquerda irrealista, não nos lancem para a apagada e vil tristeza, de além de sermos pobres, sermos pindéricos mentais.
E os que gostam de liberdades sociais, não se iludam. Com o advento da nossa Direita, ligada à Igreja Católica e ao respeitinho cavernícola, trará revisões das leis da IVG, da homossexualidade e o testamento vital, que ficará adiado para daqui a cem anos.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
O califado universal
Osama bin Laden já está com Alá. E, esperemos, com muito mais virgens do que as que conheceu cá na terra. Pois, além das quatro esposas da praxe, muitas outras prováveis serventuárias o terão acompanhado. Aliás, o próprio Osama era o 17º filho de um rico construtor civil e restaurador de mesquitas que produziu mais de cinquenta descendentes.
Existem, na net, amplas referências a todo o percurso familiar, político e guerrilheiro de Osama. O seu ódio ao Ocidente, entre tantos outros ódios que cultivava, era quase demencial.
Há quem considere que não existem choques civilizacionais. Mas, será fácil encontrar no Ocidente alguém nascido em 1957, que tenha mais de cinquenta irmãos, como facto comum? Voltámos ao problema central da situação das mulheres no Islão, umas meras barrigas para fornecerem população aos Estados. Serem seres humanos de pleno direito é ideia que não cabe no formato arcaico e delirante dos mentores de califados universais.
Existem, na net, amplas referências a todo o percurso familiar, político e guerrilheiro de Osama. O seu ódio ao Ocidente, entre tantos outros ódios que cultivava, era quase demencial.
Há quem considere que não existem choques civilizacionais. Mas, será fácil encontrar no Ocidente alguém nascido em 1957, que tenha mais de cinquenta irmãos, como facto comum? Voltámos ao problema central da situação das mulheres no Islão, umas meras barrigas para fornecerem população aos Estados. Serem seres humanos de pleno direito é ideia que não cabe no formato arcaico e delirante dos mentores de califados universais.
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Sem Sócrates?
Eu também queria uma Presidência da República sem Cavaco, uma Oposição sem Coelhos, Relvas, encomendadores de submarinos sem mísseis, esquerdas com verdete, etc.
Afinal, Sócrates não foi eleito democraticamente? E agora também vai servindo de mestre de cerimónias para os credores da Nação, enquanto lhe mandam biqueiros todos os dias, esses lazarentos candidatos ao poder que precipitaram a queda do Governo.
Se querem PS sem Sócrates, também quero Belém sem Cavaco, PSD sem Coelho, PP sem Portas, PC sem Jerónimo e Bloco sem Louçã. Ou não foram estes senhores eleitos democraticamente, como Sócrates?
Afinal, Sócrates não foi eleito democraticamente? E agora também vai servindo de mestre de cerimónias para os credores da Nação, enquanto lhe mandam biqueiros todos os dias, esses lazarentos candidatos ao poder que precipitaram a queda do Governo.
Se querem PS sem Sócrates, também quero Belém sem Cavaco, PSD sem Coelho, PP sem Portas, PC sem Jerónimo e Bloco sem Louçã. Ou não foram estes senhores eleitos democraticamente, como Sócrates?
terça-feira, 19 de abril de 2011
Intoxicadores
Como é possível esquecer os concomitantes tempos de penúria e miséria social, com criancinhas piolhosas e descalças? Frequentei uma escola primária no centro do Porto, e tive colegas que iam descalças para as aulas, e a quem a professora tinha de pôr pó contra os parasitas na cabeça.
O panelão da sopa e um pãozinho era o que a servente (que hoje se chama auxiliar de acção educativa) dava ao almoço a grande parte das alunas. Só meia dúzia de miúdas, mais remediadas, iam almoçar a casa.
Quanto ao ambiente rural, nem é bom falar. Vnham para as cidades exércitos de meninas de nove anos, para criadas de servir, que ainda mal chegavam ao fogão e só tinham livre a tarde de domingo. Isto para não falar no assédio dos patrões e outros homens da casa. Sim, que isto de pedofilia não começou com a Casa Pia.
Logo, confrange-me ver esse respeitável economista não levar em linha de conta o ambiente social, a miséria mais negra, a repressão da dignidade dos pequenos, a História, a Sociologia, a Política. Afinal, ao serviço de quem e de quê está a economia? Duma mentalidade de balancete ou de caixa registadora?
Outra personagem que já enfada na Quadratura do Círculo, a apelidar de "homem perigoso" o PM, é o famigerado ficcionista Pacheco Pereira. E di-lo com um ar odiento, de quem fala de Hitler ou de Gengis Khan. Se não fosse tão ridículo, seria quase humorístico.
Será que, realmente, o PM é efectivamente perigoso para a mediocridade sem remédio das pessoas que povoam o partido orangista?
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