quarta-feira, 31 de julho de 2019

CÃO CELESTE #13

(De Lechitiel)

(VI)

Não ofereçais aos poetas mais palavras,
não sabem o que fazer delas.
Os poetas não temem a dor:
estão sempre lá, na hora do adeus,
num limbo sem tempo
onde a morte não existe
nem a vida.
Não ofereçais aos poetas o coração,
não vos amarão:
velam, noite e dia,
o despojo ausente do corpo amado
na câmara ardente
do vazio de amor.
Não tenteis salvar os poetas,
não vos seguirão:
por vós não deixarão o inferno,
porque sonham comovê-lo
e assim reaver das chamas
tudo o que lhes foi negado.


ANDREA BASSANI
[Trad. de José Carlos Soares e Serena Cacchioli]

pág. 9, Junho 2019 Direcção de Inês Dias e Manuel de Freitas, coordenação gráfica de Luís Henriques

terça-feira, 16 de julho de 2019

ÚLTIMAS REGRAS

Em Últimas Regras abre-se novamente aos leitores o universo poético de Inês Lourenço retomando a fórmula iniciada em Ephemeras (Companhia das Ilhas, 2012), onde se conjugam a prosa poética, a micro-narrativa e a tonalidade mordaz e ácida característica da autora. in Companhia das Ilhas

Os riscos de compor no feminino

"Os riscos de compor no feminino: a presença oculta das mulheres compositoras na história da música ocidental”. Tema da conferência do musicólogo RUI VIEIRA NERY, na abertura do 40º Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim.
No passado dia 6 de Julho, no Cine-Teatro Garrett.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

PEDRO & INÊS - Palavras Vivas

15 Poetas Contemporâneos
Organização e prefácio de António Carlos Cortez
Ed. Caleidoscópio, 2018

terça-feira, 26 de junho de 2018

MIRCEA CARTARESCU *


(...)
'Qual é o objecto mais valioso do mundo?', perguntam a um mestre zen. 'Um gato morto - responde ele - pois ninguém lhe poderá dar um preço'. A poesia é o gato morto no mundo de consumismo, hedonista e mediático, em que vivemos. Não se pode imaginar uma presença mais ausente, uma grandeza mais humilde, um terror mais doce. Ninguém lhe pode pôr um preço e, contudo, não existe nada mais valioso. Só a encontramos nas livrarias se temos a paciência de chegar às últimas filas das prateleiras. (Cartarescu, Mircea. El ojo castaño de nuestro amor)
Mas a poesia é muito mais do que livros abandonados em estantes recônditas, é um verdadeiro sentido. Mais à frente, Cartarescu desenvolve essa mesma ideia: "No entanto, humilhada e dissolvida no tecido social, quase desaparecida como profissão e como arte, a poesia continua a ser omnipresente e ubíqua como o ar que nos envolve. Pois antes de ser uma fórmula e técnica literária, a poesia é um modo de vida é uma maneira de olhar o mundo."


in PARALAXE, Afonso Cruz, JL de 20 de Junho de 2018

*Poeta, ficcionista e ensaísta romeno (Bucareste, 1956)

quinta-feira, 26 de abril de 2018

HÁ 44 ANOS E ESTA NOITE!


DIA MUNDIAL DO LIVRO

OS LIVROS


Os livros duram séculos e...
falam da melodia da chuva,
dos rios e dos mares, das fontes,
dos húmidos beijos dos
amantes, mas também


morrem despedaçados num
qualquer temporal que parte
as vidraças e lhes tolhe as páginas
numa brutal invasão líquida.

E falam do fogo
das paixões, de estrelas
a arder no infinito,
mas o convívio das chamas
é-lhes vedado, apesar
da torpe ignorância
a isso os ter condenado
tantas vezes.

Quantos naufrágios e incêndios
os destruiram, para depois
ressurgirem múltiplos,
audazes amigos tão antigos e
tão novos.



I.L.
in "Coisas Que Nunca", & etc, Lisboa 2010