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terça-feira, 21 de março de 2017
segunda-feira, 21 de março de 2016
DIA INTERNACIONAL DA POESIA
DIAS INTERNACIONAIS
Hoje comemora-se o Dia da Poesia, que surge todos os anos no equinócio da Primavera. Mas também se celebra o Dia da Floresta, o Dia contra a Discriminação Racial, o Dia da Marioneta e por último, mas não em último o dia do nascimento do grande J. S. Bach (1685).
ARTE POÉTICA II
Poluída e rútila
é a beleza de um verso
cercado o movente sangue
sobre a neve,
lugar sem bússola onde escassos chegam,
sem país, sem linho, sol ou noite.
I.L.
Hoje comemora-se o Dia da Poesia, que surge todos os anos no equinócio da Primavera. Mas também se celebra o Dia da Floresta, o Dia contra a Discriminação Racial, o Dia da Marioneta e por último, mas não em último o dia do nascimento do grande J. S. Bach (1685).
ARTE POÉTICA II
Poluída e rútila
é a beleza de um verso
cercado o movente sangue
sobre a neve,
lugar sem bússola onde escassos chegam,
sem país, sem linho, sol ou noite.
I.L.
quinta-feira, 20 de março de 2014
Dia Mundial da Poesia
Passageira
O poema que não
surpreende nem afirmaa inutilidade de si, nem ensina
a olhar a certa dissolução
das coisas, nem interroga
o desencanto
É uma espécie de prurido
nas nossas costas, coisairritante e passageira
que logo se esquece.
I.L.
in A Disfunção Lírica (2007)
REESCRITA
Fender os versos
com a lâmina implacável do
tempo. No umbigo do poema
cravar
o sabre rente às vísceras dos
verbos,
à linfa de adjectivos. Despedaçar
os músculos dos sentidos. Abrir
a rede viária do sangue.
Romper
a velha epiderme.
I.L.
in Coisas que Nunca (2010)
quinta-feira, 21 de março de 2013
Dia Mundial da Poesia
ANONYMUS
Não me tragas um poema
de sentidos inócuos, nem engenharias gráficas a ocupar
a página. Afasta-te dos bons sentimentos, das
mansas paisagens com asas de permeio
ou brancas flores de salgueiro. Modela o barro
das palavras como um artesão anónimo
inventa a própria ferramenta
a ferir os dedos
na proximidade da pedra
E não incandesças no ludíbrio
do amor. Esse também pouco vale
mais que um mero espelho, se
a ti próprio procuras possuir ou vencer
em quem julgas amar
Nem me fales da luz dos deuses,
que já envelheceram
há milhares de galáxias
caídos na demência senil
e caídos nós nesta orfandade sem mistério
No dia paralelo ao
teu nascimento, decerto transporás
a porta das horas pela derradeira vez
ciente por fim da vacuidade
dos versos onde te escondeste.
Inês Lourenço
2013
Não me tragas um poema
de sentidos inócuos, nem engenharias gráficas a ocupar
a página. Afasta-te dos bons sentimentos, das
mansas paisagens com asas de permeio
ou brancas flores de salgueiro. Modela o barro
das palavras como um artesão anónimo
inventa a própria ferramenta
a ferir os dedos
na proximidade da pedra
E não incandesças no ludíbrio
do amor. Esse também pouco vale
mais que um mero espelho, se
a ti próprio procuras possuir ou vencer
em quem julgas amar
Nem me fales da luz dos deuses,
que já envelheceram
há milhares de galáxias
caídos na demência senil
e caídos nós nesta orfandade sem mistério
No dia paralelo ao
teu nascimento, decerto transporás
a porta das horas pela derradeira vez
ciente por fim da vacuidade
dos versos onde te escondeste.
Inês Lourenço
2013
quarta-feira, 21 de março de 2012
Dia Mundial da Poesia
Também nasceu neste dia, em Leipzig, Johann Sebastian Bach (1685 - 1750). Aqui, na genial interpretação de Glenn Gould.
ARTE POÉTICA I
Do texto não as pinças mas o lábio
da trama não o fio mas o hausto
do rosto não o facto mas o feixe
do timbre não o fundo mas a fenda
da venda não a fresta
mais que o laço.
ARTE POÉTICA II
(coda)
Poluída e rútila
é a beleza de um verso
cercado o movente sangue
sobre a neve,
lugar sem bússola onde escassos chegam,
sem país, sem linho, sol ou noite.
ARTE POÉTICA III
O poeta disse: a inspiração
não existe. De há muito, as musas
ficaram desempregadas. E desvendou
algum método de trabalho
à parca assistência, altivo e contemporâneo,
enquanto lá fora o mar e as altas palmeiras
resistindo ao tráfego do fim da tarde,
pouco se interessavam
pela carpintaria dos versos.
Inês Lourenço, Câmara Escura,Ed. Língua Morta, Lisboa, 2012.
Poemas escolhidos por Manuel de Freitas
ARTE POÉTICA I
Do texto não as pinças mas o lábio
da trama não o fio mas o hausto
do rosto não o facto mas o feixe
do timbre não o fundo mas a fenda
da venda não a fresta
mais que o laço.
ARTE POÉTICA II
(coda)
Poluída e rútila
é a beleza de um verso
cercado o movente sangue
sobre a neve,
lugar sem bússola onde escassos chegam,
sem país, sem linho, sol ou noite.
ARTE POÉTICA III
O poeta disse: a inspiração
não existe. De há muito, as musas
ficaram desempregadas. E desvendou
algum método de trabalho
à parca assistência, altivo e contemporâneo,
enquanto lá fora o mar e as altas palmeiras
resistindo ao tráfego do fim da tarde,
pouco se interessavam
pela carpintaria dos versos.
Inês Lourenço, Câmara Escura,Ed. Língua Morta, Lisboa, 2012.
Poemas escolhidos por Manuel de Freitas
segunda-feira, 21 de março de 2011
Dia Mundial da Poesia
poiesis Poiesis POIESIS poiesis POIESIS poiesis Poiesis POIESIS poiesis Poiesis POIESIS poiesis Poiesis POIESIS poiesis Poiesis POIESIS poiesis Poiesis POIESIS poiesis Poiesis POIESIS poiesis Poiesis POIESIS poiesis Poiesis POIESIS poiesis Poiesis POIESIS poiesis Poiesis POIESIS poiesis Poiesis POIESIS poiesis Poiesis POIESIS poiesis Poiesis POIESIS poiesis Poiesis POIESIS
«[poiesis é] a actividade de criar ou de fazer; produção artística.» (Dagobert D. Runes, Dicionário de Filosofia, Lisboa, Editorial Presença, 1990.)
REESCRITA
Fender os versos
com a lâmina implacável do
tempo. No umbigo do poema cravar
o sabre rente às vísceras dos verbos,
à linfa de adjectivos. Despedaçar
os músculos dos sentidos. Abrir
a rede viária do sangue. Romper
a velha epiderme.
- Inês Lourenço, Coisas que nunca, &Etc., Lisboa 2010
«[poiesis é] a actividade de criar ou de fazer; produção artística.» (Dagobert D. Runes, Dicionário de Filosofia, Lisboa, Editorial Presença, 1990.)
REESCRITA
Fender os versos
com a lâmina implacável do
tempo. No umbigo do poema cravar
o sabre rente às vísceras dos verbos,
à linfa de adjectivos. Despedaçar
os músculos dos sentidos. Abrir
a rede viária do sangue. Romper
a velha epiderme.
- Inês Lourenço, Coisas que nunca, &Etc., Lisboa 2010
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