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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

SETEMBRO




SETEMBRO

 

Aonde estará aquela doce nostalgia de Setembro? Aquelas despedidas de Verão, divididas entre o desgosto e lassidão da partida e a ansiedade do porvir? Onde estão as melodiosas canções dos prelúdios outonais?

Com metade do país a arder por incúria do poder ou grunhice e miséria cívica do povo, com as músicas apimbalhadas da época ou o fartote de percussão, berros e passas dos festivais para os juves…, com os anciãos arrastando-se sozinhos, com as famílias, coitadinhas, ausentes. Com cães e gatos deixados à caridade dos vizinhos ou de algum veículo de passagem que lhes dê melhor sorte, cresça depressa Setembro, mesmo com a ameaça de mais uma farsa autárquica, para votarmos em quem não conhecemos e que vai seguir interesses de poderes mesquinhos.

sábado, 13 de março de 2010

Poesia &limitada

A poesia (e os seus autores) é a grande temática deste blogue.

Veja aqui

domingo, 7 de junho de 2009

"Vive la rose!"

(Ramo de rosas enviado pelo meu amigo J. A.)

Retribuo com um poema publicado em livro, mas que se refere a um "antes".
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ANTES
(história para ler ao deitar)


No princípio não era o verbo
mas o antes. Não-lugar onde
nenhum mantimento
era necessário. Mesmo isso
a que chamam palavras, cadeias
servis de contágio e contagem,
não tinha qualquer serventia.

Era muito antes da cisão
da luz e da treva e
da fábula fatal de qualquer
existência. Muito antes da
invenção maligna de Cronos e
de outros princípios divinos. Muito
antes do negro e do branco,
do bem e do mal, do macho
e da fêmea.

Desnecessários eram,
por inúteis: searas e ceifeiros,
rebanhos e pastores, senhores e servos,
possuidores e coisas possuídas. Antes,
muito antes
do amor, do sangue e da sede, antes
da viagem, antes da subida, antes
do declive. Desde sempre
muito antes da morte.

I. L.
in A Disfunção Lírica, & etc, Lisboa, 2007