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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O homem inacabado

Anedota japonesa

Peixes mecânicos nadam,
raros, no aquário em Osaka.

Seu terno de vidro quebrou
no armário de espanto.

Um corvo com bico de aço
volta a furar seu cérebro.

As vísceras de Mishima
pulam debaixo da cama.

Nenhum cão na imensa Tóquio
ganirá por sua solidão.


Desajeito

O home inacabado
não tem posição
que lhe traga conforto
na cama.
Luta a noite toda
com o colchão
sem que seu corpo
torto possa encontrar
abrigo.
O pensamento
do homem inacabado
gira em falso
como as rodas de um carro
encravado na lama.

in O homem inacabado, de Donizete Galvão, Portal Editora, São Paulo, 2010

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Desígnio


DESÍGNIO

Tudo tão natural. A árvore morta
já não abriga pássaros nos ramos.
- Ildásio Tavares


Mesmo com pássaros ao desabrigo
as árvores ainda cumprem
um desígnio vertical. O tronco cingido
de líquenes e ervas tardias
é a promessa do crepitar
da fogueira oculta que move
o ofício dos poetas
mesmo que a boca se fecha, a lenha
das palavras habita o poema
ardendo contra o tempo.

Novembro 2010, Inês Lourenço
in Diversos Afins

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Inédito

________________
Sala Provisória

Nunca se sabe
quando estamos num lugar
pela última vez. Numa casa
que vai ser demolida, numa sala
provisória que vai encerrar, num velho
café que mudará de ramo, numa
página marcada e jamais reaberta, numa
canção demasiado gasta, num
abraço tornado irrepetível, numa
porta a que não voltaremos.

I. L.