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quarta-feira, 5 de junho de 2013

Federico García Lorca

Federico García Lorca
Fuente Vaqueros, 5 de Junho de 1898 — Granada, 19 de Agosto de 1936
 
 
El remanso del aire
bajo la rama del eco.

El remanso del agua
bajo fronda de luceros.

El remanso de tu boca
bajo espesura de besos.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

7 de Janeiro de 1355

Faz hoje 658 anos que foi

executada Inês de Castro

por ordem de Dom Afonso IV




Episódio da linda Inês


Passada esta tão próspera vitória,

Tornado Afonso à Lusitana Terra,

A se lograr da paz com tanta glória

Quanta soube ganhar na dura guerra,

O caso triste e dino da memória,

Que do sepulcro os homens desenterra,

Aconteceu da mísera e mesquinha

Que despois de ser morta foi Rainha.



Tu, só tu, puro amor, com força crua,

Que os corações humanos tanto obriga,

Deste causa à molesta morte sua,

Como se fora pérfida inimiga.

Se dizem, fero Amor, que a sede tua

Nem com lágrimas tristes se mitiga,

É porque queres, áspero e tirano,

Tuas aras banhar em sangue humano.



Estavas, linda Inês, posta em sossego,

De teus anos colhendo doce fruito,

Naquele engano da alma, ledo e cego,

Que a fortuna não deixa durar muito,

Nos saudosos campos do Mondego,

De teus fermosos olhos nunca enxuito,

Aos montes insinando e às ervinhas

O nome que no peito escrito tinhas.



Do teu Príncipe ali te respondiam

As lembranças que na alma lhe moravam,

Que sempre ante seus olhos te traziam,

Quando dos teus fernosos se apartavam;

De noite, em doces sonhos que mentiam,

De dia, em pensamentos que voavam;

E quanto, enfim, cuidava e quanto via

Eram tudo memórias de alegria.



De outras belas senhoras e Princesas

Os desejados tálamos enjeita,

Que tudo, enfim, tu, puro amor, desprezas,

Quando um gesto suave te sujeita.

Vendo estas namoradas estranhezas,

O velho pai sesudo, que respeita

O murmurar do povo e a fantasia

Do filho, que casar-se não queria,



Tirar Inês ao mundo determina,

Por lhe tirar o filho que tem preso,

Crendo co sangue só da morte ladina

Matar do firme amor o fogo aceso.

Que furor consentiu que a espada fina,

Que pôde sustentar o grande peso

Do furor Mauro, fosse alevantada

Contra hûa fraca dama delicada?



Traziam-na os horríficos algozes

Ante o Rei, já movido a piedade;

Mas o povo, com falsas e ferozes

Razões, à morte crua o persuade.

Ela, com tristes e piedosas vozes,

Saídas só da mágoa e saudade

Do seu Príncipe e filhos, que deixava,

Que mais que a própria morte a magoava,



Pera o céu cristalino alevantando,

Com lágrimas, os olhos piedosos

(Os olhos, porque as mãos lhe estava atando

Um dos duros ministros rigorosos);

E despois, nos mininos atentando,

Que tão queridos tinha e tão mimosos,

Cuja orfindade como mãe temia,

Pera o avô cruel assi dizia:



(Se já nas brutas feras, cuja mente

Natura fez cruel de nascimento,

E nas aves agrestes, que somente

Nas rapinas aéreas tem o intento,

Com pequenas crianças viu a gente

Terem tão piedoso sentimento

Como co a mãe de Nino já mostraram,

E cos irmãos que Roma edificaram:



ó tu, que tens de humano o gesto e o peito

(Se de humano é matar hûa donzela,

Fraca e sem força, só por ter sujeito

O coração a quem soube vencê-la),

A estas criancinhas tem respeito,

Pois o não tens à morte escura dela;

Mova-te a piedade sua e minha,

Pois te não move a culpa que não tinha.



E se, vencendo a Maura resistência,

A morte sabes dar com fogo e ferro,

Sabe também dar vida, com clemência,

A quem peja perdê-la não fez erro.

Mas, se to assi merece esta inocência,

Põe-me em perpétuo e mísero desterro,

Na Cítia fria ou lá na Líbia ardente,

Onde em lágrimas viva eternamente.



Põe-me onde se use toda a feridade,

Entre leões e tigres, e verei

Se neles achar posso a piedade

Que entre peitos humanos não achei.

Ali, co amor intrínseco e vontade

Naquele por quem mouro, criarei

Estas relíquias suas que aqui viste,

Que refrigério sejam da mãe triste.)



Queria perdoar-lhe o Rei benino,

Movido das palavras que o magoam;

Mas o pertinaz povo e seu destino

(Que desta sorte o quis) lhe não perdoam.

Arrancam das espadas de aço fino

Os que por bom tal feito ali apregoam.

Contra hûa dama, ó peitos carniceiros,

Feros vos amostrais e cavaleiros?



Qual contra a linda moça Polycena,

Consolação extrema da mãe velha,

Porque a sombra de Aquiles a condena,

Co ferro o duro Pirro se aparelha;

Mas ela, os olhos, com que o ar serena

(Bem como paciente e mansa ovelha),

Na mísera mãe postos, que endoudece,

Ao duro sacrifício se oferece:



Tais contra Inês os brutos matadores,

No colo de alabastro, que sustinha

As obras com que Amor matou de amores

Aquele que despois a fez Rainha,

As espadas banhando e as brancas flores,

Que ela dos olhos seus regadas tinha,

Se encarniçavam, fervidos e irosos,

No futuro castigo não cuidosos.



Bem puderas, ó Sol, da vista destes,

Teus raios apartar aquele dia,

Como da seva mesa de Tiestes,

Quando os filhos por mão de Atreu comia !

Vós, ó côncavos vales, que pudestes

A voz extrema ouvir da boca fria,

O nome do seu Pedro, que lhe ouvistes,

Por muito grande espaço repetistes.



Assi como a bonina, que cortada

Antes do tempo foi, cândida e bela,

Sendo das mãos lacivas maltratada

Da minina que a trouxe na capela,

O cheiro traz perdido e a cor murchada:

Tal está, morta, a pálida donzela,

Secas do rosto as rosas e perdida

A branca e viva cor, co a doce vida.



As filhas do Mondego a morte escura

Longo tempo chorando memoraram,

E, por memória eterna, em fonte pura

As lágrimas choradas transformaram.

O nome lhe puseram, que inda dura,

Dos amores de Inês, que ali passaram.

Vede que fresca fonte rega as flores,

Que lágrimas são a água e o nome Amores.   


  Camões, Os Lusíadas, Canto III, 118 a 135

(Gama conta ao rei de Melinde a História de Portugal- e aí se insere o episódio da linda Inês)

         

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Fernando Lopes-Graça (17 DEZ 1906 - 1994)

Fernando Lopes-Graça, «Duas canções»

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

terça-feira, 5 de outubro de 2010

VIVA A REPÚBLICA !

31 de Janeiro de 1891

5 de Outubro de 1910

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Visita papal ao Porto

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A próxima missa da visita papal de Bento XVI, aqui no Porto, já não vai ser realizada na Av. dos Aliados, mas sim no Estádio do Dragão, onde Jesus foi crucificado.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Hoje, 19 de Janeiro, era o aniversário do EUGÉNIO

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Procura a maravilha.

Onde um beijo sabe
a barcos e bruma.

No brilho redondo
e jovem dos joelhos.

Na noite inclinada
de melancolia.

Procura.

Procura a maravilha.

Eugénio de Andrade

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Florbela Espanca










(Vila Viçosa, 8: dez:1894 - 8: dez:1930, Matosinhos)



Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!




quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Morte de Franz Schubert a 19 de Novembro de 1828, em Viena, aos 31 anos de idade

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DAS LIED IM GRÜNEN



Amava naquele Lied uma infância
de peixes brilhantes, quedas de água,
incomparáveis prados, poldros
de olhos meigos, o jardim de Inverno
para as confidências e as pequenas
traições. A grande biblioteca
com bafo de capela. O mistério
oculto no vestuário dos homens e
nas lágrimas das mulheres. O dorso
do pai levando-a adormecida
para o leito, no quarto ermo
povoado de infindáveis, a lassidão
melódica feria um corpo
demasiado escasso
para a morte.

in Um Quarto com Cidades ao Fundo, Quasi, 2000
I. L.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

MUROS

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O dito , era na realidade, dois: Um virado para Oeste e outro para Leste. No meio havia a chamada terra-de-ninguém, com arame farpado e minas.
Muita gente não sabe que Berlim era uma "ilha" isolada no meio da Alemanha Oriental. E era uma cidade sobre ocupação: sector americano, francês, russo (os velhos aliados que derrotaram o nazismo). A parte "russa" era a parte oriental da cidade, onde ficava a Iorre da Televisão (200 metros acima do solo, em Alexander Platz), a Deutsche Opera e o magnífico Museu Pergamon, com reconstituições de pasmar, de frisos do Parténon e demais estatuária palmada da Grécia antiga e de outras civilizações do Próximo e Médio Oriente, pelos exércitos e frotas dos conquistadores modernos.

Evidente que os turistas tinham que obter vistos, apresentar passaporte, trocar os marcos ocidentais pelos da DDR, etc. A "vistoria" era rigorosa. Lembra-me que levava numa das orelhas um brinco de artesanato argentino, que tinha comprado em Kantstrasse, do lado "capitalista" e que a funcionária muito teutónica que estava no guichet do posto de controle, fez um gesto imperativo, para que eu mexesse no brinco, não fosse ocultar entre o dito e o cabelo algum objecto de espionagem.... ou projéctil secreto.
Isto foi em 1986.

Em 9 de Novembro de 1989, devo ter sido dos primeiros portugueses, que receberam a notícia cerca das 21 horas, por um telefonema da minha filha, que frequentava, à época, a Escola Superior de Música, na parte ocidental. Corri à televisão, liguei a rádio,...nada.
Telefonei a uma pessoa amiga, que perguntou ingenuamente:
"E caiu, de que lado?".

domingo, 14 de junho de 2009

Eugénio de Andrade

Também ontem, 13 de Junho, passaram 4 anos desde a partida do Eugénio. Segunda-feira, 15, haverá na Cooperativa Árvore, no Porto, pelas 18 horas, uma evocação da sua obra, com leitura de poemas.

No prato da balança um verso basta
para pesar no outro a minha vida.

sexta-feira, 1 de maio de 2009


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Maio, maduro maio quem te pintou?
Quem te quebrou o encanto, nunca te amou.
(...)

Zeca Afonso

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Eugénio de Andrade - 19 de Janeiro de 1923

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OS SULCOS DA MEMÓRIA

O rumor do pulso, a lentidão
do mar
na dobra do lençol,
as inumeráveis
vozes do verão em ruína

- a carícia hesita entre os olhos
e a mão

Eugénio de Andrade