quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Oh!!! Obama!!!

_____________________________
_____________________________
_____________________________

Vitória CLARA dum senhor ESCURO.


Ainda há 50 anos, em Nova Iorque, uma mulher negra tinha que se levantar, num autocarro, para dar lugar a um homem branco.

Independentemente do ajustamento da esperança de mudança, às cruas realidades políticas, económicas e sociais, que inexoravelmente se vai seguir, foi uma bela vitória.

Reinvente-se a América.


sábado, 1 de novembro de 2008

JUKEBOX 2 - Manuel de Freitas

__________________________
ALDINA DUARTE, 2007

O Sr. Vinho fazia apenas mais
um ano do que tu. São coisas que
acontecem, tão exactas e por vezes
belas como a tristeza de saber
que "tudo aquilo que hoje
existe/um dia há-de morrer".

Aquele corpo, de olhos fechados,
pedia com as mãos que não
o fotografassem essa noite,
sujando uma alegria que até na dor
prevalece e ficou, durante alguns
segundos, encostada aos nossos ombros.

Só quando ouviram Ai Meu Amor
se Bastasse as pedras de gelo
aceitaram desfazer-se no meu copo,
muitos anos depois de termos gasto a morte:
agora que nenhum esquecimento basta
e se reacende, todavia, a vela frágil do amor.


Jukebox 2, Teatro de Vila Real, Out. 2008


Mais poemas de Manuel de Freitas aqui , aqui e aqui

Para os mais interessados, Averno diz mais.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

António Ramos Rosa

__________________________

O Funcionário Cansado

A noite trocou-me os sonhos e as mãos
dispersou-me os amigos
tenho o coração confundido e a rua é estreita
estreita em cada passo
as casas engolem-nos
sumimo-nos
estou num quarto só num quarto só
com os sonhos trocados
com toda a vida às avessas a arder num quarto só
Sou um funcionário apagado
um funcionário triste
a minha alma não acompanha a minha mão
Débito e Crédito Débito e Crédito
a minha alma não dança com os números
tento escondê-la envergonhado
o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal em frente
e debitou-me na minha conta de empregado
Sou um funcionário cansado dum dia exemplar
Por que não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?
Por que me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço
Soletro velhas palavras generosas
Flor rapariga amigo menino
irmão beijo namorada
mãe estrela música

São as palavras cruzadas do meu sonho
palavras soterradas na prisão da minha vida
isto todas as noites do mundo uma noite só comprida
num quarto só

in Viagem através de uma Nebulosa (1960)

Nota: O poeta, dos melhores da nossa língua, nascido em Faro em 1924, passa mais um aniversário, no próximo dia 17 de Outubro.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Os Livros






-----------------------------------------________________para a Manuela





Os livros duram séculos e
falam da melodia da chuva,
dos rios e dos mares, das fontes,
dos húmidos beijos dos
amantes, mas também

morrem despedaçados num
qualquer temporal que parte
as vidraças e lhes tolhe as páginas
numa brutal invasão líquida.

E falam do fogo
das paixões, de estrelas
a arder no infinito,
mas o convívio das chamas
é-lhes vedado, apesar
da torpe ignorância,
a isso os ter condenado
tantas vezes.

Quantos naufrágios e incêndios
os destruiram, para depois
ressurgirem múltiplos,
audazes, amigos tão antigos e
tão novos.



I.L.
(Out. 2008)


segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Carpe Diem

_____________________
Nunca entrou de bom grado
na manhã dos que adormecem
cedo na véspera, nem no tempo da escola
onde decorava poemas de sadios
lavradores tementes aos donos
do céu e da terra. Nunca colheu
o lírico logro da alvorada, esse proveito
da luz, um início cruel que culpa
tudo o que vai acabar ao meio-dia.
Sempre a manhã separou amantes,
confirmou cegueiras, prendeu fugitivos,
escarneceu loucos, cismáticos, tardios...

I. L.

A Enganosa Respiração da Manhã, 2003, Asa Editores

domingo, 28 de setembro de 2008

Newman, forever...

________________________________________________

sábado, 27 de setembro de 2008

O "marxismo azul" ?

__________________________________________

Estamos perplexos com esta inversão de "credos":
O próprio Bush - corifeu personificador do primado do Mercado sobre o Estado - a querer estatizar a "catástrofe!":)))))))))))))

sábado, 20 de setembro de 2008

Instantâneos de samartaime



Jovem desconhecido disfarçado de freira, saindo da Igreja de Saint-Jacques de Pau (França), cidade a pouca distância de Lourdes.
(cortesaia do blogue "Magazine")



terça-feira, 16 de setembro de 2008

Comentário

________________________________________

Herberto Helder "libertou-nos" do esplendpr da galáxia Pessoa, com outra espécie de esplendor, de diferente torrencialidade. Mas, a que é preciso fugir para não nos aniquilarmos na "máquina lírica".No livro de ensaios Os Dois Crepúsculos de Joaquim Manuel Magalhães, A Regra do Jogo, 1981, há um célebre texto intitulado "Carta a Herberto Helder", que aborda essa necessária distância. Aliás, só nos fins dos anos 90 é que verdadeiramente a poesia portuguesa (alguma) sai de certos encantamentos e vénias órficas para a "experiência" europeia. E foi JMM, que com o seu mal entendido "voltar ao real", foi presciente, quase idos que já eram surrealismos e experimentalismos.

Também o estatuto e função da crítica literária sofreu modificações. O crítico judicativo já não existe. Critique et Verité de Barthes, livrinho que já tem barbas, explicava bem isso. O crítico será mais, actualmente um leitor especializado, um escritor com a pena suspensa.

E quanto aos leitores de poesia, são realmente poucos. A poesia não é "democrática" (exceptuando redondilhas populares, rimances tradicionais de transmissão oral). Essas eram generosas e ingénuas ilusões, que tínhamos antes do 25 de Abril. Já muita gente o constatou. Exige o domínio de certo número de códigos, para ser entendida convenientemente.É como a Música, que exige Educação Musical desde puto.Democrático é o futebol, "A Verdade da Mentira", "Eu, Carolina" ou uns livrinhos delambidos a falar de paixão e quecas à beira da piscina.

(comemtário enviado a um blogue que publicou um post a propósito de Herberto Helder)





domingo, 14 de setembro de 2008

"NOVÍSSIMOS" ?

___________________________________
__________________________________


Dois pequeno excertos de um artigo de Luís Miguel Queirós, acerca de novos autores de poesia, publicado no suplemento Ípsilon do jornal Público de sexta-feira, última.

(...)
Serve isto também para dizer que a lista de "novíssimos" que vamos propor, deveria, em boa verdade, destinar-se a quem já leu o que importa dos novos, dos de meia-idade e dos mais velhos. Até porque não há outro meio de aferir se estes não serão apenas "novíssimos" em idade.

(...)
Muitos padecem como seria de esperar, de fragilidades de construção formal (...)
Mas boa parte destes poetas tem coisas a dizer e di-las com uma energia que prende o leitor, o que é já bastante mais do que se pode afirmar de um número considerável de maçadores em verso com livros publicados.
(...)