quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Os Livros






-----------------------------------------________________para a Manuela





Os livros duram séculos e
falam da melodia da chuva,
dos rios e dos mares, das fontes,
dos húmidos beijos dos
amantes, mas também

morrem despedaçados num
qualquer temporal que parte
as vidraças e lhes tolhe as páginas
numa brutal invasão líquida.

E falam do fogo
das paixões, de estrelas
a arder no infinito,
mas o convívio das chamas
é-lhes vedado, apesar
da torpe ignorância,
a isso os ter condenado
tantas vezes.

Quantos naufrágios e incêndios
os destruiram, para depois
ressurgirem múltiplos,
audazes, amigos tão antigos e
tão novos.



I.L.
(Out. 2008)


8 comentários:

angelá disse...

Não vou dizer que é lindo, belo, ou coisas assim...
Mas, por via do tempo de outono, sinto gastas as palavras para poder comentar um poema de que gosto.

Obrigada, I.

angelá disse...

Errata: onde se lê "tempo de outono", deve ler-se "meu tempo de outono"

Anónimo disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Anónimo disse...

Conversa de cieiro_inês

«os rios que vão por Babilónia»
se por Babilónia deixaram de correr
por Babilónia não deixam de ficar.

O efémero Sião igualitário
só uma vez corre sob a ponte:
de mim resta uma esquina
de esguelha
de um bom qualquer lugar.

Manuela Imar

mais uma abraço!

Anónimo disse...

Evidentemente que

«os rios que vão por Babilónia»

são do amigo Luís, o Camões!

Desculpem-me a a falta de rigor.

Logros disse...

Obrigada Ângela.
O Outono, devo confrssá-lo, agrada-me mais que a Primavera. È o prenúncio da intimidade e da interioridade do Inverno, outra estação que me agrada.No Inverno, as pessoas tornam-se mais humanas e saem (aparentemente) daquele pascácio hedonismo estival.

Manuela
Sião voltará, porque nada está imóvel. E nenhuma Babilónia é eterna.
Custa perder as coisas que alegram a vida e lhes dão sentido: os quadros, os livros,os discos de eleição, os animais,o azul da Ria Formosa, transformada em coisa lamacenta...

Vai aqui uma nesga dos "Sôbolos Rios";


"Um gosto que hoje se alcança,
Amanhã já o não vejo;
Assim nos traz a mudança
De esperança em esperança,
E de desejo em desejo.
Mas em vida tão escassa
Que esperança será forte?
Fraqueza da humana sorte,Que quanto da vida passa
Está receitando a morte!"


Este Luís Vaz é de uma actualidade!
Por isso, a ele, regresso tantas vezes. E leio o amor e a vida e as suas tragédias....passageiras.


Grande abraço.


I.

Anónimo disse...

«Sôbolos rios que vão
por Babilónia, me achei,
onde sentado chorei
as lembranças de Sião
e quanto nelas passei.»

Não gosto que chorem, que não tenho palavras nem gestos para isso. Que posso, apenas e talvez, assistir ao nascer de outro rio enquanto vou de companhia.
Ser arqueóloga de mim é um destino indu, fóra do meu tom.
E recomeçar nunca é um princípio, apenas um estratagema psicanalítico.
Nada se recomeça, tudo se transforma - não é?
O que passou, passou?
Não, arrasta-se. Que «A vida é bela».

Abraço!

Manuela

L.N. disse...

é muito bom este poema.