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Esta data é, singularmente, atreita a nascimentos de futuros poetas:
William Butler Yeats (Irlanda, 1865)
Fernando António Nogueira Pessoa (Portugal, 1888)
J0aquim Manuel Magalhães (Portugal, 1945)
E há uma morte física:
Eugénio de Andrade, 2005
domingo, 13 de junho de 2010
terça-feira, 8 de junho de 2010
Louise Labé (1924-1966)
Por sugestão de um blogue amigo, que a refere num comentário, aqui deixo uma breve evocação da poeta e feminista francesa do século XVI, Louise Labé.
É chegado o tempo, Mademoiselle, em que as leis inflexíveis dos homens não mais impedirão as mulheres de se devotarem às ciências e disciplinas; parece-me que aquelas que forem capazes, irão empregar esta honrada liberdade, a qual nosso sexo outrora tanto desejava, em estudar estas coisas e mostrar aos homens o mal que causaram em nos privar do benefício e da honra que daí poderiam nos advir. E se alguém chega ao estágio no qual seja capaz de pôr suas idéias no papel, deveria fazê-lo com muito intelecto e não deveria desprezar a glória, mas adornar-se com ela antes do que com correntes, anéis e roupas suntuosas, as quais não podemos considerar realmente como nossas exceto pelo costume. Mas a honra que o conhecimento nos trará, não nos pode ser tomado – nem pela astúcia de um ladrão, nem pela violência de inimigos, nem pela duração do tempo.
- Parágrafo de uma carta enviada por Louise Labé a uma amiga, Mademoiselle Clemence de Bourges, em Lyon, a 24 de Julho de 1555, onde a "Bela Cordoeira" (como era conhecida) defende alguns de seus pontos de vista. (versão Wikipédia brasileira)
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sexta-feira, 4 de junho de 2010
E. M. Cioran
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A minha capacidade de ser desiludido ultrapassa o entendimento. É ela que me faz compreender Buda, mas é ela também que me impede de segui-lo.
Do Inconveniente de Ter Nascido, Gallimard,1973, Paris
tradução de Manuel de Freitas, Livraria Letra Livre, 2010, Lisboa
A minha capacidade de ser desiludido ultrapassa o entendimento. É ela que me faz compreender Buda, mas é ela também que me impede de segui-lo.
Do Inconveniente de Ter Nascido, Gallimard,1973, Paris
tradução de Manuel de Freitas, Livraria Letra Livre, 2010, Lisboa
terça-feira, 25 de maio de 2010
A tecer o coração de uma cereja
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Acordar, ser na manhã de abril
a brancura desta cerejeira;
arder das folhas à raiz
dar versos ou florir desta maneira.
Abrir os braços, acolher nos ramos
o vento, a luz, ou o que quer que seja;
sentir o tempo, fibra a fibra.
a tecer o coração de uma cereja.
- A uma cerejeira em flor, Eugénio de Andrade, em As Mãos e os Frutos, 1948
Acordar, ser na manhã de abril
a brancura desta cerejeira;
arder das folhas à raiz
dar versos ou florir desta maneira.
Abrir os braços, acolher nos ramos
o vento, a luz, ou o que quer que seja;
sentir o tempo, fibra a fibra.
a tecer o coração de uma cereja.
- A uma cerejeira em flor, Eugénio de Andrade, em As Mãos e os Frutos, 1948
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quarta-feira, 12 de maio de 2010
O fadinho do futebol e fátima
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A capital do país está, por estes dias, transformada numa aldeola embebedada de futebol e fátima. Cumpre-se ou continua a cumprir-se a famigerada sina dos três efes, com o fundo musical nem sempre inocente de miserabilismos tardo-masoquistas.
Outros países tiveram trios de iniciais definidoras: a Alemanha nazi, que patrocinava para as mulheres os três "k" (primeira letra das palavras, que em língua alemã significam crianças, cozinha e igreja). Também para a Finlândia se propôs a regra dos três "s": sauna,sexo e Sibelius; mas estes sempre inventaram a "Nokia".
António Costa, autarca da capital, que considero um homem inteligente e lúcido, mais parecia um presidente da junta da Alguidares de Baixo, nos panegíricos tecidos a uma equipa de futebol,
à qual Lisboa muito deve...
RIDÍCULO!!!
Lisboa deve a Pessoa, Eça, Cesário, Garrett, Camões...
Outra interessante foi ver Bento XVI dar a comunhão a um grupo restrito de "eleitos". É que nisto de "queridos irmãos", há sempre uns mais irmãos que outros. E não são os sem-abrigo...
Na próxima função com multidões, em Fátima, a máscara vai descair, para condenar o direito das mulheres a deixarem habitar ou não o próprio ventre, deformar o corpo, perder adolescências, empregos e carreiras, e condenar também as novas formas de família.
A capital do país está, por estes dias, transformada numa aldeola embebedada de futebol e fátima. Cumpre-se ou continua a cumprir-se a famigerada sina dos três efes, com o fundo musical nem sempre inocente de miserabilismos tardo-masoquistas.
Outros países tiveram trios de iniciais definidoras: a Alemanha nazi, que patrocinava para as mulheres os três "k" (primeira letra das palavras, que em língua alemã significam crianças, cozinha e igreja). Também para a Finlândia se propôs a regra dos três "s": sauna,sexo e Sibelius; mas estes sempre inventaram a "Nokia".
António Costa, autarca da capital, que considero um homem inteligente e lúcido, mais parecia um presidente da junta da Alguidares de Baixo, nos panegíricos tecidos a uma equipa de futebol,
à qual Lisboa muito deve...
RIDÍCULO!!!
Lisboa deve a Pessoa, Eça, Cesário, Garrett, Camões...
Outra interessante foi ver Bento XVI dar a comunhão a um grupo restrito de "eleitos". É que nisto de "queridos irmãos", há sempre uns mais irmãos que outros. E não são os sem-abrigo...
Na próxima função com multidões, em Fátima, a máscara vai descair, para condenar o direito das mulheres a deixarem habitar ou não o próprio ventre, deformar o corpo, perder adolescências, empregos e carreiras, e condenar também as novas formas de família.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Visita papal ao Porto
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A próxima missa da visita papal de Bento XVI, aqui no Porto, já não vai ser realizada na Av. dos Aliados, mas sim no Estádio do Dragão, onde Jesus foi crucificado.
A próxima missa da visita papal de Bento XVI, aqui no Porto, já não vai ser realizada na Av. dos Aliados, mas sim no Estádio do Dragão, onde Jesus foi crucificado.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Evidências

Não percam esta apelativa representação de "O Retábulo das Maravilhas", de Jacques Prévert, excelente interacção de Tó Maia (encenador) e actores do TIC TAC (ver cartaz). Esta já foi editada na celebrada &Etc, sob o título "Cenas", em 2003.
Sobre o autor: Jacques Prévert (Neuilly-sur-Seine, 4 de fevereiro de 1900 — Omonville-la-Petite, 11 de abril de 1977) foi um poeta e roteirista francês.
Após o sucesso da sua primeira coletânea de poesias, Paroles (1946), Prévert torna-se um grande poeta popular, graças à sua linguagem familiar, seu senso de humor, seus hinos à liberdade e ao jogo que faz com as palavras. Seus poemas passam a serem estudados em todas as escolas francesas do mundo, conquistando o reconhecimento internacional.
Poeta e roteirista, Jacques Prévert ironiza os usos e costumes, o clero, a igreja. Cria os roteiros e diálogos de grandes filmes franceses pertencentes à escola do realismo poético, realizados em sua maioria por Jean Renoir e Marcel Carné.
Compositor, ele escreve a música "Les Feuilles Mortes", que foi muito famosa em seu tempo, na voz de Ives Montand. Mais tarde, Serge Gainsbourg compôs uma música chamada "La chanson de Prevért" que faz referência à canção citada mais acima.
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sábado, 24 de abril de 2010
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Wislawa Szymboska
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Permaneceu no seu lugar o todo.
moveram-se os detalhes
pelos carris previstos.
Chegou mesmo a escutar-se
o combinado encontro.
Fora do alcance
da nossa presença.
No paraíso perdido
da verosimilhança
Noutro lugar.
Noutro lugar.
Como elas vibram, estas palavras.
(trad. de Júlio Sousa Gomes)
Permaneceu no seu lugar o todo.
moveram-se os detalhes
pelos carris previstos.
Chegou mesmo a escutar-se
o combinado encontro.
Fora do alcance
da nossa presença.
No paraíso perdido
da verosimilhança
Noutro lugar.
Noutro lugar.
Como elas vibram, estas palavras.
(trad. de Júlio Sousa Gomes)
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