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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Eugénio de Andrade (19 de Janeiro de 1923 - 13 de Junho de 2005)


Sobre o Caminho

Nada

nem o branco fogo do trigo
nem as agulhas cravadas na pupila dos pássaros
te dirão a palavra

Não interrogues não perguntes
entre a razão e a turbulência da neve
não há diferença

Não colecciones dejectos o teu destino és tu

Despe-te
não há outro caminho

Eugénio de Andrade, in Véspera da Água


Nota: Todos os anos me lembro deste aniversário. Todos os novembros vou lá pôr uma orquídea, das que nascem no meu terraço.

terça-feira, 25 de maio de 2010

A tecer o coração de uma cereja

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Acordar, ser na manhã de abril
a brancura desta cerejeira;
arder das folhas à raiz
dar versos ou florir desta maneira.
Abrir os braços, acolher nos ramos
o vento, a luz, ou o que quer que seja;
sentir o tempo, fibra a fibra.
a tecer o coração de uma cereja.

- A uma cerejeira em flor, Eugénio de Andrade, em As Mãos e os Frutos, 1948