quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Schiller/Beethoven

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Ludwig van Beethoven estava quase totalmente surdo quando compôs a sua nona sinfonia.
A Philharmonic Society of London ("Sociedade Filarmônica de Londres"), atual Royal Philharmonic Society (Sociedade Filarmônica Real"), comissionou originalmente a obra, em 1817. Beethoven começou a trabalhar nela no ano seguinte, e a terminou no início de 1824, doze anos depois de sua sinfonia anterior. Seu interesse pela Ode à Alegria, no entanto, se iniciou com suas inúmeras tentativas de musicar o poema, ocorridas desde 1793.
O tema do scherzo pode ter suas origens traçadas a uma fuga escrita em 1815. A introdução para a parte vocal da sinfonia causou diversas dificuldades para Beethoven. Foi a primeira vez que se tentava utilizar um componente vocal numa sinfonia. Anton Schindler, célebre amigo de Beethoven, disse posteriormente: "Quando ele começou a trabalhar no quarto movimento, a batalha recomeçou, mais intensa do que nunca. Sua meta era a de encontrar uma maneira apropriada de introduzir a ode de Schiller. Um dia ele [Beethoven] entrou na sala gritando: 'Consegui, consegui!' E então me mostrou um caderno com as palavras cantemos a ode do imortal Schiller'". No entanto, esta introdução acabou nunca chegando à obra final, e Beethoven ainda passou muito tempo reescrevendo aquela parte até que ela atingisse a forma conhecida atualmente.

Beethoven estava ansioso para ver sua obra executada em Berlim o mais rápido possível, após terminá-la. Acreditava que o gosto musical de Viena estivesse dominado por compositores italianos como Gioacchino Rossini. Quando seus amigos e patronos ouviram isso, insistiram para que ele estreiasse a sinfonia em Viena.
A Nona Sinfonia foi executada pela primeira vez no dia 7 de maio de 1824, no Kärntnertortheater, juntamente com a abertura Die Weihe des Hauses ("A Consagração da Casa") e as primeiras três partes da Missa Solene. Esta era a primeira aparição do compositor sobre um palco em doze anos; a casa estava cheia. As partes para soprano e contralto da sinfonia foram executadas por duas jovens e famosas cantoras da época, Henriette Sontag e Caroline Unger.
Embora a performance tenha sido regida oficialmente por Michael Umlauf, mestre de capela do teatro, Beethoven dividiu o palco com ele. Dois anos antes, Umlauf havia presenciado a tentativa do compositor de reger um ensaio de sua ópera, Fidelio, que terminou em desastre, e desta vez pediu aos cantores e músicos que ignorassem Beethoven, então já totalmente surdo. No início de cada parte, Beethoven, sentado ao palco, dava indicações de tempo, virando as páginas de sua partitura e dando marcações à uma orquestra que não podia ouvir. O violista Josef Böhm escreveu: "O próprio Beethoven regeu a peça; isto é, ele ficou diante do atril e gesticulou furiosamente. Em certos momentos se erguia, noutros se encolhia no solo, e se movimentava como se quisesse tocar ele mesmo todos os instrumentos e cantar por todo o coro. Todos os músicos não prestaram atenção ao seu ritmo enquanto tocavam."
Alguns relatos de testemunhas sugerem que a execução da sinfonia na noite de estréia teria sido pouco apurada, devido ao pouco número de ensaios que haviam sido realizados (apenas dois com a orquestra inteira). Por outro lado, foi um grande sucesso. Enquanto a platéia aplaudia - os testemunhos não deixam claro se isto teria ocorrido no final do scherzo ou da sinfonia - Beethoven, que, em sua "regência", ainda estava atrasado em diversos compassos em relação à música que havia acabado de ser executada, continuava a reger, acompanhando a partitura. Então, a contralto Caroline Unger teria ido a ele e o virado em direção ao público, para aceitar suas exortações e aplausos. De acordo com um dos presentes, "o público recebeu o herói musical com o mais absoluto respeito e simpatia, e ouviu às suas criações maravilhosas, gigantescas, com a mais concentrada das atenções, irrompendo em jubilantes aplausos, frequentemente durante os movimentos, e, repetidamente, ao fim de cada um." Toda a platéia o aplaudiu de pé por cinco diversas vezes; lenços foram erguidos ao ar, assim como chapéus e mãos, para que Beethoven, que não podia ouvir o aplauso, pudesse ao menos vê-lo. Beethoven deixou o concerto extremamente comovido.


Estrutura

A sinfonia está estruturada em quatro movimentos, marcados como:
Allegro ma non troppo, un poco maestoso
Scherzo: Molto vivace - Presto
Adagio molto e cantabile - Andante Moderato - Tempo I - Andante Moderato - Adagio - Lo Stesso Tempo
Recitativo: (Presto – Allegro ma non troppo – Vivace – Adagio cantabile – Allegro assai – Presto: O Freunde) – Allegro assai: Freude, schöner Götterfunken – Alla marcia – Allegro assai vivace: Froh, wie seine Sonnen – Andante maestoso: Seid umschlungen, Millionen! – Adagio ma non troppo, ma divoto: Ihr, stürzt nieder – Allegro energico, sempre ben marcato: (Freude, schöner Götterfunken – Seid umschlungen, Millionen!) – Allegro ma non tanto: Freude, Tochter aus Elysium! – Prestissimo: Seid umschlungen, Millionen!
Beethoven mudou o padrão costumeiro das sinfonias clássicas, ao colocar o scherzo antes do movimento lento. Esta foi a primeira vez que ele fez isso numa sinfonia, embora tivesse feito o mesmo em outros tipos de composições, como os quartetos op. 18 números 4 e 5, o trio para piano "Arquiduque" op. 97, e a sonata para piano op. 106 "Hammerklavier").


"Ode à Alegria" de Friedrich Schiller, em alemão
(segundo o manuscrito de Beethoven)

Baixo

O Freunde, nicht diese Töne!
Sondern laßt uns angenehmere
anstimmen und freudenvollere.
Freude! Freude!

Baixo. Quarteto e coro

Freude, schöner Götterfunken
Tochter aus Elysium,
Wir betreten feuertrunken,
Himmlische, dein Heiligtum!
Deine Zauber binden wieder
Was die Mode streng geteilt;
Alle Menschen werden Brüder,
Wo dein sanfter Flügel weilt.
Wem der große Wurf gelungen,
Eines Freundes Freund zu sein;
Wer ein holdes Weib errungen,
Mische seinen Jubel ein!
Ja, wer auch nur eine Seele
Sein nennt auf dem Erdenrund!
Und wer's nie gekonnt, der stehle
Weinend sich aus diesem Bund!
Freude trinken alle Wesen
An den Brüsten der Natur;
Alle Guten, alle Bösen
Folgen ihrer Rosenspur.
Küsse gab sie uns und Reben,
Einen Freund, geprüft im Tod;
Wollust ward dem Wurm gegeben,
Und der Cherub steht vor Gott.

Tenor e coro

Froh, wie seine Sonnen fliegen
Durch des Himmels prächt'gen Plan,
Laufet, Brüder, eure Bahn,
Freudig, wie ein Held zum Siegen.

Coro
Seid umschlungen, Millionen!
Diesen Kuß der ganzen Welt!
Brüder, über'm Sternenzelt
Muß ein lieber Vater wohnen.
Ihr stürzt nieder, Millionen?
Ahnest du den Schöpfer, Welt?
Such' ihn über'm Sternenzelt!
Über Sternen muß er wohnen.
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(tradução em português)

Baixo

Ó, amigos, mudemos de tom!
Entoemos algo mais prazeroso
E mais alegre!

Baixo. Quarteto e coro

Alegria, formosa centelha divina,
Filha do Elíseo,
Ébrios de fogo entramos
Em teu santuário celeste!
Tua magia volta a unir
O que o costume rigorosamente dividiu.
Todos os homens se irmanam
Ali onde teu doce vôo se detém.
Quem já conseguiu o maior tesouro
De ser o amigo de um amigo,
Quem já conquistou uma mulher amável
Rejubile-se conosco!
Sim, mesmo se alguém conquistar apenas uma alma,
Uma única em todo o mundo.
Mas aquele que falhou nisso
Que fique chorando sozinho!
Alegria bebem todos os seres
No seio da Natureza:
Todos os bons, todos os maus,
Seguem seu rastro de rosas.
Ela nos deu beijos e vinho e
Um amigo leal até a morte;
Deu força para a vida aos mais humildes
E ao querubim que se ergue diante de Deus!

Tenor e coro

Alegremente, como seus sóis voem
Através do esplêndido espaço celeste
Se expressem, irmãos, em seus caminhos,
Alegremente como o herói diante da vitória.

Coro

Abracem-se milhões!
Enviem este beijo para todo o mundo!
Irmãos, além do céu estrelado
Mora um Pai Amado.
Milhões se deprimem diante Dele?
Mundo, você percebe seu Criador?
Procure-o mais acima do Céu estrelado!
Sobre as estrelas onde Ele mora!

(extraído da Wikipédia)

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Bestas-feras

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Uma besta-fera em versão masculina, assassimou a mulher, dentro da ambulância que a ia transportar, já sovada e ferida ao hospital da Figueira da Foz, acabando por assassinar mais um soldado da GNR e ferir outro. Foi em Montemor-o-Velho, PORTUGAL, Europa, quase em 2010! Não estamos no Afeganistão, no Paquistão e noutros sítios de "sharia" e "fatwas".

Para quando a PRISÂO PERPÉTUA para estes psicopatas perigosos?

Não há "casas -abrigo" nem campanhas contra a violência doméstica, que erradiquem esta selvajaria sanguinolenta, se não houver penas severíssimas para estes assassinos brutais.
Com as penas reduzidas a metade, por "bom comportamento", estes malvados, indignos de existir, safam-se ao fim de meia dúzia de anos.


Adenda: A filha do assassino e da falecida, de 5 anos de idade, também ficou ferida, pois acompanhava a mãe, na ambulância.
(Notícia do Telejornal da RTP-1, às 20 horas de hoje).

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

FELINUS

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A Maria Tobias era preta
e branca. Na parte branca era
Tobias e era Maria na preta. Morou
connosco cinco anos. No sexto, numa
quinta-feira santa pôs-se a dormir
depois de um longo jejum. Ficaram-nos
nas mãos festas desabitadas e os poucos
haveres: uma malga, uma manta, um bebedouro,
que não logramos enviar
para a nova morada.


I. L.
2009

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Parábola das "escutas" com vernáculo

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Sim, já sabemos que não contêm qualquer ilícito criminal, as suas conversas privadas, ao telemóvel, durante 6 meses, indevidamente espiadas. Mas, já agora é de grande interesse nacional e patriótico saber se chamou puta a alguém, ou mandou alguém para o caralho.



Nota: Depois de ver o Programa "Prós & Contras", lembrei-me dos Juízes dos Tribunais Plenários e dos "crimes contra a segurança do Estado".
Gente sinistra.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Morte de Franz Schubert a 19 de Novembro de 1828, em Viena, aos 31 anos de idade

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DAS LIED IM GRÜNEN



Amava naquele Lied uma infância
de peixes brilhantes, quedas de água,
incomparáveis prados, poldros
de olhos meigos, o jardim de Inverno
para as confidências e as pequenas
traições. A grande biblioteca
com bafo de capela. O mistério
oculto no vestuário dos homens e
nas lágrimas das mulheres. O dorso
do pai levando-a adormecida
para o leito, no quarto ermo
povoado de infindáveis, a lassidão
melódica feria um corpo
demasiado escasso
para a morte.

in Um Quarto com Cidades ao Fundo, Quasi, 2000
I. L.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Excertos desconhecidos

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Não faço versos por vaidade literária. Faço-os pela mesma razão por que o pinheiro faz resina, a pereira, peras e a macieira, maçãs: é uma simples fatalidade orgânica.

Guerra Junqueiro

(in prefácio à 2.ª edição de "A Velhice do Padre Eterno")

sábado, 14 de novembro de 2009

Furunculose

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Será que alguém, honestamente acredita, que espremer o grande furúnculo da atávica e colectiva trafulhice nacional, pela cabeça de Sócrates, melhora o país?
Saímos de 3 eleições e andam a brincar aos procuradores, aos repórteres justicialistas e às certidões da sucata?
Chega de farisaísmo e cretinice!!!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

MUROS

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O dito , era na realidade, dois: Um virado para Oeste e outro para Leste. No meio havia a chamada terra-de-ninguém, com arame farpado e minas.
Muita gente não sabe que Berlim era uma "ilha" isolada no meio da Alemanha Oriental. E era uma cidade sobre ocupação: sector americano, francês, russo (os velhos aliados que derrotaram o nazismo). A parte "russa" era a parte oriental da cidade, onde ficava a Iorre da Televisão (200 metros acima do solo, em Alexander Platz), a Deutsche Opera e o magnífico Museu Pergamon, com reconstituições de pasmar, de frisos do Parténon e demais estatuária palmada da Grécia antiga e de outras civilizações do Próximo e Médio Oriente, pelos exércitos e frotas dos conquistadores modernos.

Evidente que os turistas tinham que obter vistos, apresentar passaporte, trocar os marcos ocidentais pelos da DDR, etc. A "vistoria" era rigorosa. Lembra-me que levava numa das orelhas um brinco de artesanato argentino, que tinha comprado em Kantstrasse, do lado "capitalista" e que a funcionária muito teutónica que estava no guichet do posto de controle, fez um gesto imperativo, para que eu mexesse no brinco, não fosse ocultar entre o dito e o cabelo algum objecto de espionagem.... ou projéctil secreto.
Isto foi em 1986.

Em 9 de Novembro de 1989, devo ter sido dos primeiros portugueses, que receberam a notícia cerca das 21 horas, por um telefonema da minha filha, que frequentava, à época, a Escola Superior de Música, na parte ocidental. Corri à televisão, liguei a rádio,...nada.
Telefonei a uma pessoa amiga, que perguntou ingenuamente:
"E caiu, de que lado?".

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Scorpius

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Hoje, 6 de Novembro, fazia anos Sophia de Mello Breyner Anddresen (1919).
Faz anos Mário Cláudio (1941).
Ambos nascidos no Porto.


TRADUZIDO DE KLEIST



Dizem que no outro mundo o sol é mais brilhante
E brilha sobre campos mais floridos
Mas os olhos que vêem essas maravilhas
São olhos apodrecidos

S. de M. B. A.
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CASTELO DO QUEIJO


No labirinto de ferros amolgados,
o submarino repousa,
ao largo do
Castelo do Queijo.

Gira um goraz de pinta,
sobre
a cruz gamada que
o atrito das areias apagou.

E quanto à secreta carga de lingotes de oiro,
duas caveiras aguardam,
de aberta queixada,
no heil derradeiro.

M. C.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Jorge de Sena (2/11/1919 - 4/6/1978)

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CAMÕES DIRIGE-SE AOS SEUS CONTEMPORÂNEOS


Podereis roubar-me tudo:
as ideias, as palavras, as imagens,
e também as metáforas, os temas, os motivos,
os símbolos e a primazia
nas dores sofridas de uma língua nova,
no entendimento de outros, na coragem
de combater, julgar, de penetrar
em recessos de amor para que sois castrados.
E podereis depois não me citar,
suprimir-me, ignorar-me, aclamar até
outros ladrões mais felizes.
Não importa nada: que o castigo
será terrível. Não só quando
vossos netos não souberem já quem sois
terão de me saber melhor ainda
de que fingis que não sabeis,
como tudo, tudo o que laboriosamente pilhais,
reverterá para o meu nome. E mesmo será meu,
tido por meu, contado como meu,
até mesmo aquele pouco e miserável
que, só por vós, sem roubo, haveríeis feito.
Nada tereis, mas nada:nem os ossos,
que um vosso esqueleto há-de ser buscado,
para passar por meu. E para outros ladrões,
iguais a vós, de joelhos, porem flores, no túmulo.


Jorge de Sena