segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

ESTENDAIS

 

Em alguns Invernos mais chuvosos,
em Miragaia que foi a Madragoa de
Pedro Homem de Mello, o Douro
salta a margem e entra pelos arcos
onde se demora no rés-do-chão
das casas, por duas madrugadas.

Mas são os estendais, à janela
agitados pelo vento nas abertas da chuva,
que nos trazem a urgência e a constância
dos corpos, nas mangas pendentes
de camisas, camisolas ou na roupa

interior, última margem dos íntimos rios,
onde os poliésteres aboliram os felpos, os linhos,
as cambraias. Só a cor branca dos lençóis teima
lá no alto, a abrir velas ao desejo do sol
e à memória de obscuras lavadeiras, que faziam
heróicas barrelas na espuma inocente do sabão.



I.L.
in O SEGUNDO OLHAR, Companhia das Ilhas, 2015

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Apresentação de "O Segundo Olhar"














Nas fotos, figuram os intervenientes da sessão. A autora: Inês Lourenço, o editor Carlos Alberto Machado, o antologiador José Manuel T. da Silva, o apresentador da obra Fernando Guimarães, a actor que efectuou, as leituras António Durães e a pianista Sofia Lourenço.
Fotos de André Henriques (Ah!PHOTO) e Lauren Maganete.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

terça-feira, 1 de setembro de 2015

RODA DA FORTUNA

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RODA DA FORTUNA

O número dez governa
os meus movimentos. Decénios
e decénios me transformaram...
em leme, nora, moinho,
hélice, chaminé, guindaste
ou num objecto-fantasma
em cenário de abandono. A
geometria divina do círculo
converteu-me no destino dos
homens. Subo e desço
em sucessivos ciclos. A
mutabilidade é o meu eixo
e habito a substância do tempo
que tudo destrói e regenera.

Inês Lourenço (in A ENGANOSA RESPIRAÇÃO DA MANHÃ, 2002

quarta-feira, 1 de julho de 2015

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Quadras Sanjoaninas 2015


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Inda há para a sardinha
Meia dúzia de tostões,
Só querem deixar a espinha
Esse bando de ladrões.

 
Gaspar, Lulus e Pentelhos,
Cavacos, Relvas, Loureiros,
Salgados, Portas, Coelhos,
Lixaram novos e velhos.

 
Num foguete e num balão,
Um milagre se vai dar,
Pois o nosso S. João
Manda os safados ao ar.

 
Assim para o ano que vem,
Ele vai-nos proteger:
E não se verá ninguém
Na lixeira a remexer.

 
Obrigado S. João
Por seres nosso protector.
Lá vamos nós dar a mão
Na fogueira, com amor.

 

(Anónimo)