segunda-feira, 26 de outubro de 2015
terça-feira, 1 de setembro de 2015
RODA DA FORTUNA
RODA DA FORTUNA
O número dez governa
os meus movimentos. Decénios
e decénios me transformaram...
em leme, nora, moinho,
hélice, chaminé, guindaste
ou num objecto-fantasma
em cenário de abandono. A
geometria divina do círculo
converteu-me no destino dos
homens. Subo e desço
em sucessivos ciclos. A
mutabilidade é o meu eixo
e habito a substância do tempo
que tudo destrói e regenera.
Inês Lourenço (in A ENGANOSA RESPIRAÇÃO DA MANHÃ, 2002
O número dez governa
os meus movimentos. Decénios
e decénios me transformaram...
em leme, nora, moinho,
hélice, chaminé, guindaste
ou num objecto-fantasma
em cenário de abandono. A
geometria divina do círculo
converteu-me no destino dos
homens. Subo e desço
em sucessivos ciclos. A
mutabilidade é o meu eixo
e habito a substância do tempo
que tudo destrói e regenera.
Inês Lourenço (in A ENGANOSA RESPIRAÇÃO DA MANHÃ, 2002
quinta-feira, 23 de julho de 2015
quarta-feira, 1 de julho de 2015
segunda-feira, 22 de junho de 2015
Quadras Sanjoaninas 2015
Inda há para a sardinha
Meia dúzia de tostões, Só querem deixar a espinha
Esse bando de ladrões.
Gaspar, Lulus e Pentelhos,
Cavacos, Relvas, Loureiros,Salgados, Portas, Coelhos,
Lixaram novos e velhos.
Num foguete e num balão,
Um milagre se vai dar,Pois o nosso S. João
Manda os safados ao ar.
Assim para o ano que
vem,
Ele vai-nos proteger:E não se verá ninguém
Na lixeira a remexer.
Obrigado S. João
Por seres nosso protector.Lá vamos nós dar a mão
Na fogueira, com amor.
Etiquetas:
quadras sanjoaninas
quinta-feira, 4 de junho de 2015
Leave the kids alone
Ficaram sozinhos com as redes sociais, a partilharem as maiores humilhações e sevícias entre eles. É tempo de analisar os resultados desta fraude.
sexta-feira, 15 de maio de 2015
sexta-feira, 8 de maio de 2015
sexta-feira, 24 de abril de 2015
OS LIVROS, ONTEM E TODOS OS DIAS
OS LIVROS
Os livros duram séculos e
falam da melodia da chuva,
dos rios e dos mares, das fontes,
dos húmidos beijos dos
amantes, mas também
morrem despedaçados num
qualquer temporal que parte
as vidraças e lhes tolhe as páginas
numa brutal invasão líquida.
E falam do fogo
das paixões, de estrelas
a arder no infinito,
mas o convívio das chamas
é-lhes vedado, apesar
da torpe ignorância
a isso os ter condenado
tantas vezes.
Quantos naufrágios e incêndios
os destruíram, para depois
ressurgirem múltiplos,
audazes amigos tão antigos e
tão novos.
I.L.
in COISAS QUE NUNCA, &etc Lisboa 2010
sexta-feira, 17 de abril de 2015
GÜNTER GRASS
GLÓBULOS VERMELHOS
Mas nua...
e reduzida somente a proporções
fazes-me pena.
Por isso tento mudar-te o joelho de lugar.
Dá-me que pensar a tua espinha côncava.
Não compreendo porque és tão feia
nem porque sou incapaz de deixar de te olhar
para contemplar, por exemplo, o prado verde ou o rio
que são tão naturais
e não possuem clavículas.
Amo-te
como é possível.
Vou compor um ballet
para os teus glóbulos, os brancos
e os vermelhos.
Quando cair o pano
tomar-te-ei o pulso e verei
se o esforço valeu a pena.
PONTUAL
No andar inferior
uma jovem mãe bate
no seu filho
em cada meia-hora.
Por esse facto
vendi o meu relógio
e guio-me somente
pela mão dura
do andar inferior,
os cigarros contados
ao alcance da mão;
o meu tempo está bem medido.
Trad. de Egito Gonçalves
in Cadernos de Poesia HÍFEN nº5, Porto, Março 1990.
como é possível.
Vou compor um ballet
para os teus glóbulos, os brancos
e os vermelhos.
Quando cair o pano
tomar-te-ei o pulso e verei
se o esforço valeu a pena.
PONTUAL
No andar inferior
uma jovem mãe bate
no seu filho
em cada meia-hora.
Por esse facto
vendi o meu relógio
e guio-me somente
pela mão dura
do andar inferior,
os cigarros contados
ao alcance da mão;
o meu tempo está bem medido.
Trad. de Egito Gonçalves
in Cadernos de Poesia HÍFEN nº5, Porto, Março 1990.
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