(...)
"Aquilo, meu filho, é um país de filhos da puta, que sempre andaram pelo mundo a fazer filhos em putas"
(...)
in Correspondência 1969-1978, Jorge de Sena e Carlo V. Cattaneo , trad. de Jorge Vaz de Carvalho, Ed. Guimarães, 2013.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
Alberto Pimenta
(...)
Sei é que eu, cavalheiro do século XX, não me pareço muito com este cabeludo que usava um
pithos não só para repousar e meditar, porque ele tinha as paredes e o fundo cobertos de uma
camada de esperma seco que dava para calafetar um navio. Isto é o que consta: Diógenes era um masturbador compulsivo; uma espécie de socialista radical, porque só na masturbação é que se reúnem na mesma mão capital e trabalho.
(...)
in Cão Celeste nº4, Diógenes, pág.88.
Sei é que eu, cavalheiro do século XX, não me pareço muito com este cabeludo que usava um
pithos não só para repousar e meditar, porque ele tinha as paredes e o fundo cobertos de uma
camada de esperma seco que dava para calafetar um navio. Isto é o que consta: Diógenes era um masturbador compulsivo; uma espécie de socialista radical, porque só na masturbação é que se reúnem na mesma mão capital e trabalho.
(...)
in Cão Celeste nº4, Diógenes, pág.88.
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Rui Caeiro
(...)
A Rua das Flores é, pode dizer-se, uma continuação
da Travessa dos Remolares.
Pode, mas não deve, porque nada têm de facto a ver
uma com a outra.
A Rua das Flores é de graves inclinação e apresenta
pergaminhos burgueses, conotações literárias. Para
não falar do vizinho grupo escultórico, ao Largo do
Barão de Quintela, ou do fantasma do camiliano
Vieira de Castro a abafar o rosto da mulher com a
almofada, há a queiroziana Genoveva a atirar-se de
uma janela e a dar tragédia à rua.
A Travessa dos Remolares não tem direito a tragé-
dias. Só a quotidiano reles.
Quotidiano reles mas ainda assim parte integrante
de um mundo e sui generis. Aguardando o seu Ber-
nardo Soares como quem espera o D. Sebastião.
E para que o mito se cumpra - ou nem mito
haveria - ainda não foi ou será desta.
(...)
in TRAVESSA DOS REMOLARES, paralelo w, Lisboa 2013, p.7
A Rua das Flores é, pode dizer-se, uma continuação
da Travessa dos Remolares.
Pode, mas não deve, porque nada têm de facto a ver
uma com a outra.
A Rua das Flores é de graves inclinação e apresenta
pergaminhos burgueses, conotações literárias. Para
não falar do vizinho grupo escultórico, ao Largo do
Barão de Quintela, ou do fantasma do camiliano
Vieira de Castro a abafar o rosto da mulher com a
almofada, há a queiroziana Genoveva a atirar-se de
uma janela e a dar tragédia à rua.
A Travessa dos Remolares não tem direito a tragé-
dias. Só a quotidiano reles.
Quotidiano reles mas ainda assim parte integrante
de um mundo e sui generis. Aguardando o seu Ber-
nardo Soares como quem espera o D. Sebastião.
E para que o mito se cumpra - ou nem mito
haveria - ainda não foi ou será desta.
(...)
in TRAVESSA DOS REMOLARES, paralelo w, Lisboa 2013, p.7
Etiquetas:
novas edições (poemas)
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
Maria Callas (Nova Iorque, 2 de dezembro de 1923 — Paris, 16 de setembro de 1977)
Maria Callas - La Traviata - Verdi (video) (Lisbonne 1958)
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Rui Nunes
(...)
É interessante ver como a nossa história é uma sequência de abandonos da pátria. Abandonámos a pátria pela África, abandonámos a pátria pela Índia, abandonámos a pátria pelo Brasil, pela Europa. O que significa que esse abandono da pátria está presente na nossa matriz. Daí que pense que a grande pátria dos portugueses é a errância.
(...)
in ACTUAL - EXPRESSO, Ideias & Debates, 30 de Novembro 2013, pág.36.
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
António Guerreiro
(...)
A cultura como redenção, decoração e fuga aos aborrecimentos quotidianos é um bem partilhado pelo humanismo dos filisteus, aqueles que se "atiram ao ornamento como o cão à salsicha", como dizia Karl Kraus.
(...)
in Estação Meteorológica, Ípsilon - Público, 29 Nov. 2013
Nota: A.G. é talvez a voz mais lúcida, informada e actualizada, que escreve ainda na nossa imprensa. Detecta as encenações, hipocrisias e logros que dão corpo a muitas atitudes bem pensantes, perfilhadas por muito boa gente. Por isso, ele é tão combatido e posto em questão pelos simplistas de pacotilha.
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
Manuel de Freitas
BWV 232
«Uma asa partida, outra desfeita» - assim chegou
a pomba à livraria, trazida junto ao peito do poeta.
Chegámos a tempo de ver a santíssima trindade:
um deus ágil e vetusto, cristo cigano, com o cigarro
aceso, e a pomba enferma, pelos dois banhada.
E era como se nada mais importasse, ou se
suspendesse, abruptamente, o ruído plebeu da cidade,
o som martirizante das pessoas que passavam,
leves de alma, de honra, e sem palavras que luzissem.
Entardecia em Lisboa, a asa batia no cartão ocasional.
A mesma que talvez não volte a voar sobre os telhados
nus desta cidade. Porque o sangue, mais do que
o espírito, tende às vezes a parar, deixa-nos quietos
e tolhidos numa caixa de papelão e sofrimento
onde nem Deus, se existisse, nos poderia ajudar.
in CÓLOFON, Fahrenheit 451, Lisboa 2012, pág. 35.
Etiquetas:
Manuel de Freitas
Subscrever:
Mensagens (Atom)

