segunda-feira, 16 de setembro de 2013

A novilíngua do novo fascismo

(...)
« É, aliás, significativo que alguns críticos mais indulgentes, perante a afirmação de Passos Coelho de que a Constituição não fez nada por novecentos mil desempregados, o tenham aconselhado a nunca fazer discursos longos improvisados, o que corresponde à ideia orwelliana de que o falante da novilíngua "faz fluir o discurso articulado pela laringe, sem nenhuma implicação dos centros cerebrais". Mas a novilíngua deste novo fascismo já não é imposta por um poder como o dos fascismos históricos: é um fascismo que não vem de cima, é produzido no próprio tecido das interacções sociais. Alimenta-se da cultura que habitamos e respiramos. Ninguém obriga ninguém a tornar-se falante desta novilíngua, são os sujeitos - súbditos - dela que se auto - limitam inconscientemente para se situarem no interior do jogo da linguagem em curso. Trata-se de um poder microfísico que Foucault tão bem analisou.»

António Guerreiro

in Estação Meteorológica, O fascismo da língua, ípsilon, 13 Setembro 2013

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

End Child Marriage

Rawan, 8 anos, foi morta pelo «marido», de 40 anos, na noite do casamento. A curta notícia do El Pays - http://sociedad.elpais.com/sociedad/2013/09/09/actualidad/1378749337_077900.html - destapa uma pontinha do véu que encobre a realidade b...rutal dos casamentos forçados, que todos os anos vítima mais de 14 milhões de meninas. O mundo é só um sítio cruel para tantas e tantas crianças e mulheres...
Foto: http://unfpa.org/endchildmarriage

 Chamava-se Rawan, contava 8 anos, vivia no Iémen e morreu na noite de núpcias, vítima lesões graves nos órgãos genitais e no útero. A menina casara com um homem de 40 anos, que diversos ativistas querem ver sentado no banco dos réus. Segundo o The Huffington Post, também a família é visada, por ter permitido o casamento.
Uma menina de 8 anos casou com um homem de 40, o que é permitido no Iémen. Mas este casamento durou apenas algumas horas, já que Rawan, a menor, morreu durante a noite de núpcias, vítima de lesões graves decorrentes de atos sexuais que foi obrigada a praticar.
De acordo com o jornal britânico The Huffington Post – que cita o Al Watan, diário do Kuwait –, a menor sofreu uma rutura nos órgãos genitais e lesões graves no útero, que lhe provocaram a morte.
Esta morte provocou manifestações de repúdio por parte de ativistas locais, que querem agora que o homem e a família de Rawan sejam responsabilizados pela morte desta criança.
Aquele jornal do Kuwait escreve que muitas menores ienemitas são obrigadas a casar, bastando, para o efeito, que a família dê consentimento. Estima-se que uma em cada quatro meninas case com menos de 16 anos de idade.
Estes casamentos resultam também de extremas dificuldades económicas das famílias, que vendem as filhas para conseguirem combater a fome que assola o Iémen.
A morte de Rawan veio levantar esta polémica, sendo que os ativistas reforçaram a sua luta contra este tipo de violência contra as crianças.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

SETEMBRO




SETEMBRO

 

Aonde estará aquela doce nostalgia de Setembro? Aquelas despedidas de Verão, divididas entre o desgosto e lassidão da partida e a ansiedade do porvir? Onde estão as melodiosas canções dos prelúdios outonais?

Com metade do país a arder por incúria do poder ou grunhice e miséria cívica do povo, com as músicas apimbalhadas da época ou o fartote de percussão, berros e passas dos festivais para os juves…, com os anciãos arrastando-se sozinhos, com as famílias, coitadinhas, ausentes. Com cães e gatos deixados à caridade dos vizinhos ou de algum veículo de passagem que lhes dê melhor sorte, cresça depressa Setembro, mesmo com a ameaça de mais uma farsa autárquica, para votarmos em quem não conhecemos e que vai seguir interesses de poderes mesquinhos.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Salazar sem Pide

Num destes fóruns radiofónicos aberto ao público em geral, um encantador participante declarou, que perante a sua desilusão acerca do nosso leque partidário, sugeria que Portugal devia ser governado por um novo Salazar... mas sem Pide.
Felizmente um outro ouvinte que se lhe seguiu, acrescentou, muito acertadamente que "não há Salazar sem Pide".
É com estas intelijumências iguais à do 1º ouvinte que elegemos a qualidade de gente que está nos postos cimeiros da nação.

terça-feira, 30 de julho de 2013

7 anos de prisão e 600 chicotadas...

Arábia Saudita condena activista dos direitos humanos a sete anos de prisão e 600 chicotadas


Raef Badawi, de 35 anos, estava detido desde Junho do ano passado.
                                        
Um tribunal saudita condenou nesta segunda-feira um activista dos direitos humanos a sete anos de prisão e 600 chicotadas por ter criado uma fórum online "liberal" e por insultos ao Islão.
"Raef Badawi foi condenado a sete anos na prisão e 600 chicotadas” escreveu no Twitter o advogado de defesa, Waleed Abualkhair, acrescentando que o juiz ordenou o encerramento do site Rede Liberal Saudita. O advogado afirmou que Badawi, co-fundador do site, foi acusado de criticar a política religiosa e de apelar à “liberalização religiosa”.
 
Em Dezembro, um juiz tinha também remetido Badawi para um tribunal superior por renúncia à crença religiosa, um crime que pode levar à pena de morte na Arábia Saudita, mas as autoridades desistiram da acusação.
 
Badawi, de 35 anos, foi detido em Junho do ano passado por razões então desconhecidas. A rede que fundou com a activista dos direitos das mulheres Suad al-Shammari anunciou a 7 de Maio de 2012 um “dia de liberalismo” naquele reino muçulmano, pedindo o fim da influência da religião na vida pública da Arábia Saudita.
 
Este não é o primeiro caso em que as autoridades actuam por causa de actividades na Internet. Em Fevereiro do ano passado, um blogger saudita que estava na Malásia acabou deportado e está detido sob acusações de blasfémia, por ter publicado no Twitter comentários considerados insultuosos para o profeta Maomé.
 
in PUBLICO, por

segunda-feira, 29 de julho de 2013

O bom Francisco


   Nos seus 76 anos, o novo Papa Francisco concita simpatias e adesões babadas. O discurso do chefe do Vaticano não deixa de ser encantatório e cheio de misericórdia para com os excluídos e vítimas de todas as prepotências deste mundo. Mas, já estamos escaldados do bonzão e actualmente santo João Paulo II, que foi um dos papas mais conservadores e retrógrados desde o Concílio Vaticano II.
   Para eu me babar com Sua Santidade Francisco, seria preciso:
      a) acabar com a hipocrisia do celibato dos padres.
      b) abrir o sacerdócio às mulheres.
      c) não continuar a proibir o preservativo, mesmo em doentes com HIV...
   Já ninguém espera anuências a favor da IVG ou outras possibilidades laicas, porque se sabe que nenhuma religião as aprova. Mas, tenham dó! Os seminários estão vazios. Por que será?

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Moção masturbatória


   Legal, regimental ou seja lá o que for a próxima moção de confiança ao governo remendado, que vai ser posta em prática pela maioria parlamentar é simultaneamente cómica e ridícula. O governo é sustentado pela maioria e pelo PR, gentinha de direita, abençoados pela troika e pelos agiotas nacionais e internacionais, tudo numa incestuosa prática, que vai levar a esse filme decadente da dita moção. Vou procurar não ouvir nem ver reportagens desse logro.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Carlos Alberto Machado

[elipse, o rapaz]


o homem é de novo menino e corre corre pelas ruas de
                                                                  basalto negro
e à noite recolhe-se no baldio com trapos e sucatas
                                                                     e raízes
                                                                     podres
antes de adormecer olha o céu negro sugado de estrelas
e adormece sobre camadas de jornais velhos
passa o sono a viajar na matéria dos sonhos
e é menino ainda quando acorda
abre muito os olhos
como se pudesse ver o futuro
mas não vê


in O GATO VISITADOR, volta d'mar, 2013, pág.23 

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Frase

"Uma boa frase cria a sua verdade. É por isso que os políticos escolhem meticulosamente os seus slogans para criarem a deles." Vergílio Ferreira