quinta-feira, 25 de julho de 2013
Moção masturbatória
Legal, regimental ou seja lá o que for a próxima moção de confiança ao governo remendado, que vai ser posta em prática pela maioria parlamentar é simultaneamente cómica e ridícula. O governo é sustentado pela maioria e pelo PR, gentinha de direita, abençoados pela troika e pelos agiotas nacionais e internacionais, tudo numa incestuosa prática, que vai levar a esse filme decadente da dita moção. Vou procurar não ouvir nem ver reportagens desse logro.
segunda-feira, 22 de julho de 2013
Carlos Alberto Machado
[elipse, o rapaz]
o homem é de novo menino e corre corre pelas ruas de
basalto negro
e à noite recolhe-se no baldio com trapos e sucatas
e raízes
podres
antes de adormecer olha o céu negro sugado de estrelas
e adormece sobre camadas de jornais velhos
passa o sono a viajar na matéria dos sonhos
e é menino ainda quando acorda
abre muito os olhos
como se pudesse ver o futuro
mas não vê
in O GATO VISITADOR, volta d'mar, 2013, pág.23
o homem é de novo menino e corre corre pelas ruas de
basalto negro
e à noite recolhe-se no baldio com trapos e sucatas
e raízes
podres
antes de adormecer olha o céu negro sugado de estrelas
e adormece sobre camadas de jornais velhos
passa o sono a viajar na matéria dos sonhos
e é menino ainda quando acorda
abre muito os olhos
como se pudesse ver o futuro
mas não vê
in O GATO VISITADOR, volta d'mar, 2013, pág.23
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quarta-feira, 10 de julho de 2013
Frase
"Uma boa frase cria a sua verdade. É por isso que os políticos escolhem meticulosamente os seus slogans para criarem a deles."
Vergílio Ferreira
quinta-feira, 4 de julho de 2013
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Telhados de Vidro nº 18
Arranjo gráfico: Inês Mateus (sobre grafismo de Olímpio Ferreira)
Capa: Maria João Worm
Aos domingos
aos domingos o golo no estádio
chega até minha casa
e até ao mar
O próprio sol
é uma imagem de couro no espaço
a chuva
uma imagem de redes batidas
Ah Que fazer
senão esperar pela semana
dormindo
António Reis, Poemas Quotidianos, Lisboa, Edição do Autor, 1957
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quarta-feira, 26 de junho de 2013
Vitor Silva Tavares
Prémios...
Tem a chafarica o prazer de informar que o alegado «editor» VST declinou aceitar, e portanto receber, um tal «prémio carreira» que por aí tem sido divulgado. O referido «editor» fez questão de comunicar à festiva mensageira que não sendo carreirista de coisa nenhuma, mais lhe surgia adequado atribuir tal prémio ao Tony Carreira, isto porque não se lembrou na altura da carreira 28 dos eléctricos, essa que, sim, frequenta.
O prémio foi pois atribuído à revelia.
O prémio foi pois atribuído à revelia.
in http://editoraetc.blogspot.com.br/, Março de 2013
Nota: Leia-se no recente nº 3 da revista literária Cão Celeste, Maio 2013, dirigida por Inês Dias, Manuel de Freitas e com a coordenação gráfica de Luís Henriques, um interessante texto acerca desta respeitável e coerente recusa do referido editor, da autoria de Pádua Fernandes, pág. 8.
sábado, 22 de junho de 2013
sexta-feira, 21 de junho de 2013
O que é isto?
O que se passa com o poder autárquico neste "nosso" município do Porto?
Não se realizou a Feira do Livro, como era usual desde há 82 anos, falha vergonhosa, nesta cidade de Garrett, Camilo, Agustina, Eugénio, Jorge de Sena, Sophia, António Nobre, Soares de Passos, José Gomes Ferreira, etc e tantos outros que por aqui passaram como Eça de Queirós (frequentou o Colégio da Lapa) ou Florbela Espanca que se finou em Matosinhos. E mais uma palavra para os que actualmente cá vivem, que se sentiram ainda mais invisíveis por esta grave falha.
Agora diz o autarca maior que o S. João vai deixar de ser feriado municipal. E isto é assim? A população não é tida nem achada para nada acerca de uma das suas marcas de identidade? Os feriados municipais são uma instituição em todo o país; todos os municípios têm um dia feriado, geralmente consagrado a um patrono religioso, pois que essas tradições são antiquíssimas. E que tal se o Stº. António, em Lisboa, deixasse de ser feriado?
Já chega de tanta prepotência e menosprezo pelos portuenses e pelo sítio da nação, de onde "houve nome Portugal".
quarta-feira, 19 de junho de 2013
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Servidões das "Servidões"
"Mal tinha saído, já Servidões (numa edição de cinco mil exemplares e com reedição interdita pelo autor, informou a editora) estava esgotado na maior parte das livrarias. Estranho fenómeno este, de precipitação e multiplicação de leitores e compradores de um livro de poesia - o único medium de massa em que o número de produtores ultrapassa o dos consumidores, como escreveu uma vez o poeta e ensaísta Hans Magnus Enzensberger. Um dos factores que explicam o que aconteceu é ao mesmo tempo perverso e irónico: Herberto Helder zela tanto pela autonomia da sua obra (e isto significa, sobretudo, fazer com que ela apareça, livre de tudo o que a parasite ou a desvie para um espaço que não é o seu), que acabou por criar as condições aptas a um investimento mercantil: o seu livro é capturado por especuladores, como se se tratasse de um produto financeiro ou de uma mercadoria rara. E para que seja considerada rara é preciso que se torne objecto de um desejo de posse e não de leitura, pois o acesso a esta está sempre garantido e não se pode manter como desejo, não pode ser objecto de especulação. A este triunfo do valor de troca (ou melhor, da perspectiva de que ele vai triunfar, como acontece nos valores cotados na bolsa) soma-se um outro factor que o potencializa: o papel que na sociedade de massa têm os "filisteus cultivados" (tal designação, em que a palavra "cultivados" não deve ser substituída por "cultos", é de Hannah Arendt)."
António Guerreiro in Estação Meteorológica, ípsilon 14-06-13
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