terça-feira, 15 de maio de 2012

O Cão Celeste



EDITORIAL


Algures entre o jornal e a revista, o Cão Celeste pretende apenas ganir, ladrar com raiva ou paixão, amar ou odiar sem peias aquilo que o mundo quotidianamente lhe dá a ver. De seis em seis meses, os leitores interessados terão notícias nossas. Mas não somos um grupo, não obedecemos a qualquer cartilha literária ou política que possa servir para classificação geral. Este é, antes de mais, um espaço de encontro entre pesoas que ainda consideram urgente o livre exercício da crítica, do pensamento ou da revolta. E é justamente em nome dessa dessa precária liberdade que prescindimos de qualquer apoio exterior, passível de condicionar os nossos gestos. Repudiamos, de modo inequívoco, o acordo ortográfico pretensamente em vigor - e fazemos questão de sublinhar, sempre que possível, essa repulsa. Mas temos outros ódios, claro - e, felizmente, afectos e devoções não menos intensos. Apesar de tudo, e ainda que de longe em longe, a lanterna de Diógenes mantém o seu esquivo e necessário fulgor.

A Direcção

domingo, 13 de maio de 2012

Sofisma cruel e desavergonhado

Então uma pessoa deve ficar muito empolgada por ser despedida do seu emprego?! Deve ser a descoberta luminosa que estas mentes hermenêuticas do governo querem transmitir

Então que tal invocar outros azares, tipo partir uma perna, ser atraiçoado pelo cônjuge ou ficar paraplégico? É sempre uma oportunidade de mudança e de experimentar novos rumos de vida...

Haja um pouco de pudor nas falácias coelheiras, coisa que ele nunca teve, pelos vistos.

irreparavelmente





( visto aqui)

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Au revoir petit Sarko



A França é sempre a França. País de gente como Pascal, Proust, Camus, Sartre, S. de Beauvoir, Rimbaud, Cézanne, etc, etc...

Vive la France!!!

sexta-feira, 4 de maio de 2012

GRITOS



É de uma ironia devastadora ver um ícone artístico do sofrimento e angústia humanos render a um anónimo (humano ?) uma quantia obscena. Faça-se uma consulta rápida à biografia do pintor e às circunstâncias da criação da obra e é caso para nos interrogarmos acerca das reais e actuais finalidades da Arte

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Ladrador



Homem do Lixo


O último a chegar à festa tem
como castigo varrer o lixo,
o subproduto da embriaguez
organizada. Náo é justo nem
injusto, é a lei dos retardatários.

A essa hora já os gastos foliões
mergulham no sono que se segue
a toda a felicidade, cientes
de que irão acordar ressacados
mas contentes por terem feito tudo
o que era humanamente possível
para se divertirem uma última vez.

Sozinho no recinto, o retardatário
dança com a sua vassoura,
recolhe sobriamente os detritos
a exaltação - preservativos,
cartazes, garrafas vazias -
e consola-se com a mentira
de ter sido poupado à desilusão.


Findo o trabalho, tem ainda tempo
para se apiedar dos vindouros,
que da festa não terão sequer notícia,
que nunca poderão participar
sequer remotamente em algo
tão aparentado com a esperança.


José Miguel Silva
In Ladrador, pág. 37, Edições Averno, Lisboa, 2012.
Nota: Integram esta edição da Averno os seguintes poetas: Ana Paula Inácio; Diogo Vaz Pinto; João Almeida; Jorge Roque; Manuel de Freitas; Miguel Martins; Rui Baião; Rui Nunes; Rui Pires Cabral e Vitor Nogueira. 

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Relâmpago - Revista de Poesia - Nº 28


DOIS CIMBALINOS ESCALDADOS




Não sei, meu amigo, o que

irradiava mais calor, se

a chávena escaldada, se

o cimbalino fervente, se

as conversas sobre livros de poesia

que nesse tempo, ainda

acreditávamos ser a maior

razão



Curto, normal, cheio

o cimbalino, esse negro odor

com moldura branca

numa mesa de café, na cidade

onde habitávamos desde sempre.



I.L.


In 7 Poemas, pág. 168.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Abrir Abril




Era esta a madrugada que eu esperava

O dia inicial inteiro e limpo

Onde emergimos da noite e do silêncio


E livres habitamos a substância do tempo.

SMBA

sábado, 21 de abril de 2012

Festival Black & White

De 18 a 21 de Abril de 2012, a Escola das Artes da Universidade Católica no Porto volta a abrir portas à estética a duas cores. A 9ª edição do Festival Audiovisual Black & White, que recebe vídeos, áudio e fotografias a preto e branco, levará a competição obras provenientes dos 4 cantos do mundo.


Com características únicas a nível mundial, a iniciativa nasceu da necessidade de responder a uma crescente sensibilidade do público para a especificidade do preto e branco, abandonando o preconceito que relaciona esta estética com obras dos primórdios do cinema.

Além da aposta em vídeos e fotografias a duas cores, o festival estimula igualmente a criação de ambientes sonoros que remetam para o "preto e branco".

Ao longo de quatro dias, para além das competições, serão levadas a cabo diversas actividades ligadas ao mundo audiovisual, desde artist talks, screenings, até extensões de outros festivais internacionais. As noites serão também animadas com um programa cultural paralelo.

Dia 21 de Abril
Festival B&W - Closing ceremony
Soirée - Concert Jean-Claude Risset ()
21:45 - "Duos pour un(e) pianiste" - Jean-Claude Risset
Piano: Sofia Lourenço
Live electronics: André Perrotta & Samuel Van Ransbeeck