terça-feira, 20 de dezembro de 2011
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
José Miguel Silva
Preocupações naturais
Eu não tinha muita coisa e hoje tenho
a soma dos teus passos quando desces
a correr os nossos treze degraus e
me prometes: até logo. Mas se
nada (ou só o nada) está escrito,
quem mais ama é quem mais tem
a recear. Com isso, passo as horas
num rebate de dramáticos motivos:
engano-me na roda dos temperos,
ponho sal na cafeteira, maionese
no saleiro, vejo o mel mudar de cor
e se me chama o telefone empalideço
como o rosto do relógio da cozinha.
Só sossego quando as gatas me garantem
que chegaste e posso então, aliviado,
unir-me ao coro de miaus que te recebe,
para mais uma noite roubada ao escuro.
Poupanças
A teu lado não me importam as notícias,
que tivemos o Inverno mais seco de sempre,
e a guerra, o petróleo, o bulício dos tolos.
Os jornais não trazem nada que me possa
interessar: que aprendeste finalmente a cair
de bicicleta, tens consulta para ontem
com o médico das costas e o teu sono
continua perturbado por afãs de perfeição.
O amor é assim, deixa o logro do mundo
a ganir à porta. Vai tu à janela, se queres,
e atira-lhe um osso de atenção. Eu já não
creio que a história seja o melhor amigo
do homem - tu sim, felicidade perceptível,
âncora do tempo, senhora do Marão. Graças
a ti já comecei a poupar uns oito euros
por semana em semanários, arrelias e afins.
Too Big do Fail
Como pode um investimento tão fiável
garantir este rendimento crescente, numa
diária distribuição de beijos e outras mais-
-valias, ainda por cima livres de impostos?
Embora confiasse na tua competência
para criar valor, confesso que não esperava
tanto quando decidi aplicar nos teus títulos
sensíveis os meus parcos activos emocionais.
O mais estranho, no mundo actual, é ser este
um negócio sem perdedores, aparentemente
imune ao nervosismo das tuas acções
ou às flutuações do meu comércio libidinal.
O meu único receio é que despertemos
a invejo dos deuses, no Olimpo de Bruxelas,
e que Mercado, o monstruoso titã, decida
baixar para lixo o rating da nossa relação,
deixando-nos sem crédito na praça romanesca
e em default o coração. Mas não sejamos
pessimistas. Aliás, ambos sabemos que Cupido
nos ampara com sua mão invisível. E mesmo
que entrássemos ambos em depressão, tenho
a certeza de que o Estado português nos daria
todo o apoio, concordando que um amor como
este é simplesmente demasiado grande para falir.
In Serém, 24 de Março, Averno,Lisboa, 2011.
Nota: Estes notáveis poemas do último livro de JMS fazem-nos acreditar, plenamente, que pelo menos a poesia portuguesa não está em crise. A edição da Averno com desenhos de Luís Manuel Gaspar é, como de costume, de um grande conseguimento estético, inserida numa filosofia própria de tratar o texto poético.
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terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Manoel de Oliveira
Fanny Owen, é uma obra de Agustina Bessa-Luís, a partir da qual Manoel de Oliveira criou o filme Francisca. No prefácio da autora pode-se ler: «é um romance conduzido até mim através duma ideia que não me ocorreu a mim. Foi o caso de me terem pedido os diálogos para um filme cujo assunto seria Fanny Owen. Para escrever os diálogos tive que conhecer as circunstâncias que os inspirassem, e a história que os comporta. Assim nasceu o livro e o escrevi».
O filme baseia-se em factos verídicos ocorridos no século XIX, no meio de uma juventude boémia, mas intelectual do Porto, da qual fazia parte o escritor Camilo Castelo Branco. É a vida de um jovem, filho dum oficial inglês que se deixara envolver pelo amor, provocando-lhe o fatalismo e a desgraça. Há uma ambiguidade em Francisca que a confunde, a perturba, envolvendo o espectador numa teia de excitações que não chegam a se concretizar.
Por outro lado, há um olhar da câmara de Oliveira pelos jardins, pelos lagos, que se personificam nos olhares das personagens. Um jogo de imagens, de planos, com a câmara fixa, que nem por isso deixa de dar a sensação de vida, de movimento.
Nota: Francisca, de 1981, é o filme de Manoel de Oliveira, genial realizador português, que completou, a 11 de Dezembro, 103 anos, de que guardo memória mais intensa. Recordo que nessa altura escrevi, num poema: "Francisca, a que via fogo nas coisas mais vulgares".
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Manoel de Oliveira
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
ANIMA
A usura da vasta floração
como se houvesse outra natureza
na imersa natureza da batata
púbis, quieto ardor e expansão
revolver a terra mais enterrada
gesticulando em armações do ar
no fundo de si, o corpo fora de si
Pág. 20
Trazem nas asas fios de humidade
estas manchas, crostas do ar espesso
ou lascas da alma ou lixívia entornada
voam de quarto em quarto, devassados
vigiam a janela das meninas
os caminhos de ferro, apitos longe
sombras e sombras respirando nas escadas
Pág. 26
José Manuel Teixeira da Silva
Ilustrações de Ana Abreu
in ANIMA, Lisboa, Edições Língua Morta
Nota: Preciosa edição, de uma editora que nos reconcilia com o modo puro e desindustrializado de tratar a poesia. Belas imagens, belos poemas de um autor que merece ser lido, desde as Súbitas Permanências, Quasi Edições, 2001.
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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Povo que lavas no rio
Amália Rodrigues
Estendais
Em alguns invernos mais chuvosos,
em Miragaia que foi a Madragoa de
Pedro Homem de Mello, o Douro
salta a margem e entra pelos arcos
onde se demora no rés-do-chão
das casas, por duas madrugadas.
Mas são os estendais, à janela
agitados pelo vento nas abertas da chuva,
que nos trazem a urgência e a constância
dos corpos, nas mangas pendentes
de camisas, camisolas ou na roupa
interior, última margem dos íntimos rios,
onde os poliesteres aboliram os felpos, os linhos
as cambraias. Só a cor branca dos lençóis teima
lá no alto, a abrir velas ao desejo do sol
e à memória de obscuras lavadeiras, que faziam
heróicas barrelas na espuma inocente do sabão.
Inês Lourenço, A Enganosa Respiração da Manhã
, Asa Editores, Porto,2002.
Fado, do latim fatum; ver origens e história aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Fado
Estendais
Em alguns invernos mais chuvosos,
em Miragaia que foi a Madragoa de
Pedro Homem de Mello, o Douro
salta a margem e entra pelos arcos
onde se demora no rés-do-chão
das casas, por duas madrugadas.
Mas são os estendais, à janela
agitados pelo vento nas abertas da chuva,
que nos trazem a urgência e a constância
dos corpos, nas mangas pendentes
de camisas, camisolas ou na roupa
interior, última margem dos íntimos rios,
onde os poliesteres aboliram os felpos, os linhos
as cambraias. Só a cor branca dos lençóis teima
lá no alto, a abrir velas ao desejo do sol
e à memória de obscuras lavadeiras, que faziam
heróicas barrelas na espuma inocente do sabão.
Inês Lourenço, A Enganosa Respiração da Manhã
, Asa Editores, Porto,2002.
Fado, do latim fatum; ver origens e história aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Fado
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
O fado do fado é cantar
Fados são coisas que se cantam e que tanto encantam como desencantam:
Aldina Duarte
Marceneiro
Carminho,Alexandre O'Neill
Carlos do Carmo, Ary
Camané
Paulo Bragança
É que, expressão de realce, se quem canta seu mal espanta - não é menos verdade que
quem espanta seu mal canta. (Pilantra dixit)
Aldina Duarte
Marceneiro
Carminho,Alexandre O'Neill
Carlos do Carmo, Ary
Camané
Paulo Bragança
É que, expressão de realce, se quem canta seu mal espanta - não é menos verdade que
quem espanta seu mal canta. (Pilantra dixit)
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
GREVE
Greve, sim. Não apenas por causa da austeridade, da perda de subsídios e cortes nos vencimentos, congelamentos vários, desemprego e falências de toda a ordem. Mas também pelo previsível ataque, que as forças da antigalha conservadora, não deixarão de lançar às leis que europeizaram a sociedade portuguesa. Em Espanha, os recém-chegados ao poder, velhas raposas há muito conhecidas, já falaram em rever a lei do Casamento Gay e quiçá da Lei do Aborto.
Mas, ainda muito mais greve a este estado actual de subserviência a troikas mandonas, a agências de rating usurárias e sem rosto, à perda cada vez mais dolorosa da nossa independência política na senda da económica. Acima de qualquer governo que os portugueses possam eleger estão os ditames do FMI, do BEI e da Finança Internacional.
Quem é esta gente, estes merceeiros sem escrúpulos para mandar num país que tem as fronteiras mais antigas da Europa? Sim, porque alemanhas, itálias, áustrias, franças, já para não falar na grande nação norte americana que só nasceu no século XVIII, não passavam de constelações de principados e domínios senhoriais, quando Portugal já era uma nação autónoma e una, que cunhava moeda há muitos séculos. A Itália só se unificou com Garibaldi, no século XIX; a Alemanha, com Bismarck, idem, isto só para citar dois exemplos.
Por isso, causa algumas náuseas ver o sindroma Passos Coelho de bom aluno papalvo, atento e venerador, perante a ditadura dos mercados e seus representantes.
Que havemos de fazer???
Talvez mantermo-nos com as nossas sardinhas assadas e o nosso caldo verde, acompanhadas com um bom naco de boroa. Desistirmos dos Mercedes, casas com piscina e outras mordomias passíveis de substituição por artefactos mais modestos. Um País que tem um Camões e um Pessoa, não pode curvar a cabeça a essa gentalha, novos-ricos da História que estão a precipitar a decadência da civilização europeia e dos seus valores mais admiráveis.
POR TUDO ISTO, ESTAMOS EM GREVE.
Mas, ainda muito mais greve a este estado actual de subserviência a troikas mandonas, a agências de rating usurárias e sem rosto, à perda cada vez mais dolorosa da nossa independência política na senda da económica. Acima de qualquer governo que os portugueses possam eleger estão os ditames do FMI, do BEI e da Finança Internacional.
Quem é esta gente, estes merceeiros sem escrúpulos para mandar num país que tem as fronteiras mais antigas da Europa? Sim, porque alemanhas, itálias, áustrias, franças, já para não falar na grande nação norte americana que só nasceu no século XVIII, não passavam de constelações de principados e domínios senhoriais, quando Portugal já era uma nação autónoma e una, que cunhava moeda há muitos séculos. A Itália só se unificou com Garibaldi, no século XIX; a Alemanha, com Bismarck, idem, isto só para citar dois exemplos.
Por isso, causa algumas náuseas ver o sindroma Passos Coelho de bom aluno papalvo, atento e venerador, perante a ditadura dos mercados e seus representantes.
Que havemos de fazer???
Talvez mantermo-nos com as nossas sardinhas assadas e o nosso caldo verde, acompanhadas com um bom naco de boroa. Desistirmos dos Mercedes, casas com piscina e outras mordomias passíveis de substituição por artefactos mais modestos. Um País que tem um Camões e um Pessoa, não pode curvar a cabeça a essa gentalha, novos-ricos da História que estão a precipitar a decadência da civilização europeia e dos seus valores mais admiráveis.
POR TUDO ISTO, ESTAMOS EM GREVE.
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Leonardo di Caprio pintou a Capela Sistina
Vox Pop: A ignorância dos nossos universitários
16-11-2011
Enquanto Portugal se ri da auxiliar de acção médica concorrente da Casa dos Segredos, que julga que África é um país da América do Sul, a SÁBADO fez um teste básico a 100 alunos de universidades de Lisboa.
Ana Amaro, de 18 anos, que frequenta a licenciatura com o mestrado integrado em Psicologia do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), está a fumar à porta da faculdade, em Alfama. Aceita participar no teste de cultura geral da SÁBADO (20 perguntas, divididas por dois questionários de 10, ambos com um grau de dificuldade mínimo), mas está mais preocupada em acabar o cigarro. À quinta questão (qual é a capital dos Estados Unidos?), começa a atrapalhar-se. “Estados Unidos...? A esta hora é muita mau”, queixa-se. Não são 7h, são 13h30, e os colegas começam a sair para o almoço. Mas Ana parece ter acordado há 10 minutos, suspeita que a própria confirma.
A partir daí, é sempre a cair.
Não sabe quem escreveu O Evangelho Segundo Jesus Cristo, quem fundou a Microsoft, quem é Maria João Pires nem que instrumento toca. E não parece preocupada. Afinal, acabou de acordar.
“Não dei isso no 12.º ano”, “Cinema não é comigo”, “Não me dou bem com a literatura” – na arte de justificar a ignorância, os estudantes universitários inquiridos pela SÁBADO têm nota máxima. “Se perguntasse alguma coisa de psicologia, agora cultura geral...”, diz Janine Pinto, optando pela desculpa número um.
– Quem pintou o tecto da Capela Sistina?
– Ai, agora... Tudo o que tem a ver com capelas e igrejas não sei (desculpa número dois dos universitários).
– E quem escreveu O Evangelho Segundo Jesus Cristo?
– Eh pá! Coisas com Jesus Cristo?! Sou fraca em religião ... (desculpa número três).
E se é que isto serve de desculpa, aqui vai a número quatro: Janine, tal como muitos outros inquiridos, não está num curso de Teologia, nem de Artes.
Mas Bruno Marques, 18 anos, no 1.º ano de Ciências da Cultura na Faculdade de Letras, escorrega num tema que deveria dominar.
– Quem é Manoel de Oliveira?
– Já ouvi falar, mas não sei quem é.
– Estás em Ciências da Cultura. Dás Cinema?
– Sim, algumas coisinhas, mas não sei...
Pedro Besugo, 18 anos, estreante no curso de Turismo da Lusófona, admite não saber qual é a capital de Itália. Perante a insistência da SÁBADO (“Então estás a tirar Turismo e não sabes?”), responde: “Será Florença?” Não é. Como também não é Veneza, nem Milão ou Nápoles, como outros responderam.
Não saber quem pintou a Capela Sistina ou Mona Lisa (um aluno responde Miguel Arcanjo; outro Leonardo di Caprio) é igualmente grave. Talvez não tanto como pensar que África é um país da América do Sul ou não fazer ideia do que é um alpendre. Mas Cátia Palhinhas, do reality show Casa dos Segredos2, autora destas e de outras respostas, que põem o público a rir, não frequenta o ensino superior – é auxiliar de acção médica e está a tirar o 12.º ano à noite no programa Novas Oportunidades.
Aos 22 anos, sonha tornar-se “conhecida e vencer na televisão”. Por isso, não está nada preocupada em saber qual o maior mamífero do mundo – “É o dinossauro!”, disse há umas semanas.
Há universitários que respondem “mamute” à mesma questão. Catarina, 20 anos, aluna de Psicologia do ISPA, fica na dúvida: “É o elefante. É o mamute. É o elefante. Acho que é o elefante. O elefante é de África e o mamute da Antárctida”.
Por André Barbosa e Tânia Pereirinha e imagem de Joana Mouta e Bruno Vaz.
In Revista Sábado
16-11-2011
Enquanto Portugal se ri da auxiliar de acção médica concorrente da Casa dos Segredos, que julga que África é um país da América do Sul, a SÁBADO fez um teste básico a 100 alunos de universidades de Lisboa.
Ana Amaro, de 18 anos, que frequenta a licenciatura com o mestrado integrado em Psicologia do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), está a fumar à porta da faculdade, em Alfama. Aceita participar no teste de cultura geral da SÁBADO (20 perguntas, divididas por dois questionários de 10, ambos com um grau de dificuldade mínimo), mas está mais preocupada em acabar o cigarro. À quinta questão (qual é a capital dos Estados Unidos?), começa a atrapalhar-se. “Estados Unidos...? A esta hora é muita mau”, queixa-se. Não são 7h, são 13h30, e os colegas começam a sair para o almoço. Mas Ana parece ter acordado há 10 minutos, suspeita que a própria confirma.
A partir daí, é sempre a cair.
Não sabe quem escreveu O Evangelho Segundo Jesus Cristo, quem fundou a Microsoft, quem é Maria João Pires nem que instrumento toca. E não parece preocupada. Afinal, acabou de acordar.
“Não dei isso no 12.º ano”, “Cinema não é comigo”, “Não me dou bem com a literatura” – na arte de justificar a ignorância, os estudantes universitários inquiridos pela SÁBADO têm nota máxima. “Se perguntasse alguma coisa de psicologia, agora cultura geral...”, diz Janine Pinto, optando pela desculpa número um.
– Quem pintou o tecto da Capela Sistina?
– Ai, agora... Tudo o que tem a ver com capelas e igrejas não sei (desculpa número dois dos universitários).
– E quem escreveu O Evangelho Segundo Jesus Cristo?
– Eh pá! Coisas com Jesus Cristo?! Sou fraca em religião ... (desculpa número três).
E se é que isto serve de desculpa, aqui vai a número quatro: Janine, tal como muitos outros inquiridos, não está num curso de Teologia, nem de Artes.
Mas Bruno Marques, 18 anos, no 1.º ano de Ciências da Cultura na Faculdade de Letras, escorrega num tema que deveria dominar.
– Quem é Manoel de Oliveira?
– Já ouvi falar, mas não sei quem é.
– Estás em Ciências da Cultura. Dás Cinema?
– Sim, algumas coisinhas, mas não sei...
Pedro Besugo, 18 anos, estreante no curso de Turismo da Lusófona, admite não saber qual é a capital de Itália. Perante a insistência da SÁBADO (“Então estás a tirar Turismo e não sabes?”), responde: “Será Florença?” Não é. Como também não é Veneza, nem Milão ou Nápoles, como outros responderam.
Não saber quem pintou a Capela Sistina ou Mona Lisa (um aluno responde Miguel Arcanjo; outro Leonardo di Caprio) é igualmente grave. Talvez não tanto como pensar que África é um país da América do Sul ou não fazer ideia do que é um alpendre. Mas Cátia Palhinhas, do reality show Casa dos Segredos2, autora destas e de outras respostas, que põem o público a rir, não frequenta o ensino superior – é auxiliar de acção médica e está a tirar o 12.º ano à noite no programa Novas Oportunidades.
Aos 22 anos, sonha tornar-se “conhecida e vencer na televisão”. Por isso, não está nada preocupada em saber qual o maior mamífero do mundo – “É o dinossauro!”, disse há umas semanas.
Há universitários que respondem “mamute” à mesma questão. Catarina, 20 anos, aluna de Psicologia do ISPA, fica na dúvida: “É o elefante. É o mamute. É o elefante. Acho que é o elefante. O elefante é de África e o mamute da Antárctida”.
Por André Barbosa e Tânia Pereirinha e imagem de Joana Mouta e Bruno Vaz.
In Revista Sábado
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Eugénio, sempre
Carlos Torres Figueiredo vence Prémio de Poesia Eugénio de Andrade
O volume “A Criança que Ri.” valeu a Carlos Torres Figueiredo – um nome até agora desconhecido no mundo literário – o Prémio de Poesia Eugénio de Andrade, lançado este ano pelo editor portuense José da Cruz Santos e pela chancela Modo de Ler.
Esta primeira edição do prémio teve um júri presidido por Luís Adriano Carlos, em representação da Modo de Ler, e incluiu também Inês Lourenço, Jorge Sousa Braga, José Manuel Mendes, Miguel Moura (em representação da família herdeira de Eugénio de Andrade) e Luís Miguel Queirós.
O júri escolheu “A Criança que Ri.” por unanimidade, de um conjunto de cerca de meia centena de obras enviadas a concurso.
O prémio – no valor de 10 mil euros e com o patrocínio do BPI, da Rosto Editora e dos herdeiros de Eugénio de Andrade – vai ser entregue a Carlos Torres Figueiredo numa cerimónia pública a realizar no Porto a 19 de Janeiro de 2012, dia do nascimento do poeta de “As Mãos e os Frutos”.
Está previsto que o Prémio de Poesia Eugénio de Andrade tenha periodicidade bienal.
In Público de 12.11.2011
O volume “A Criança que Ri.” valeu a Carlos Torres Figueiredo – um nome até agora desconhecido no mundo literário – o Prémio de Poesia Eugénio de Andrade, lançado este ano pelo editor portuense José da Cruz Santos e pela chancela Modo de Ler.
Esta primeira edição do prémio teve um júri presidido por Luís Adriano Carlos, em representação da Modo de Ler, e incluiu também Inês Lourenço, Jorge Sousa Braga, José Manuel Mendes, Miguel Moura (em representação da família herdeira de Eugénio de Andrade) e Luís Miguel Queirós.
O júri escolheu “A Criança que Ri.” por unanimidade, de um conjunto de cerca de meia centena de obras enviadas a concurso.
O prémio – no valor de 10 mil euros e com o patrocínio do BPI, da Rosto Editora e dos herdeiros de Eugénio de Andrade – vai ser entregue a Carlos Torres Figueiredo numa cerimónia pública a realizar no Porto a 19 de Janeiro de 2012, dia do nascimento do poeta de “As Mãos e os Frutos”.
Está previsto que o Prémio de Poesia Eugénio de Andrade tenha periodicidade bienal.
In Público de 12.11.2011
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
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